
O Mata Atlântica Não pare na beira da estrada Itacaré. Desce a serra, atravessa o areal e quase toca o mar. No sul de Bahiana chamada Costa do Cacauesse pequeno vilarejo preservou a mata sem querer, e hoje esse acidente histórico é o maior atrativo do destino.
Do cacau ao surf: como o isolamento salvou Itacaré
Em 1720, o jesuíta Luís da Grã construiu uma capela dedicada a São Miguel na foz do Rio de Contassobre uma antiga aldeia de índios Pataxós. A cidade tornou-se município em 1732 e só ganhou o nome atual em 1931. Segundo pesquisa de Universidade Federal da Bahia (UFBA)“Itacaré” vem do tupi e significa “rio de barulho diferente”.
No século XIX, o porto da cidade transportava toneladas de cacau baiano para o mundo. Quando a praga das vassouras de bruxa devastou as colheitas na década de 1980, a aldeia ficou em silêncio. Este isolamento preservado mansões coloniaismanguezais e quase toda mata nativa. Em 1998, a inauguração do BA-001considerada a primeira estrada ecológica do país, abriu o acesso ao litoral. Surfistas aventureiros que já haviam encontrado as ondas se espalharam pelo mundo com as novidades, e o turismo chegou.
Quais são as praias imperdíveis da Costa do Cacau?
Itacaré possui mais de vinte praias. Sete fica a poucos minutos a pé do centro. As demais exigem uma trilha pela Mata Atlântica, o que já é uma viagem à parte. O Portal de Turismo de Itacaré destaca que a estreita plataforma continental, limitada a 8 milhas, garante ondas com constância e força únicas no litoral baiano.
- Praia da Concha: mais próximo do centro, próximo à foz do Rio de Contas. Mar calmo, quiosques e pôr do sol em Ponta do Xaréumiradouro natural do lado esquerdo da costa.
- Praia da Tiririca: spot dos surfistas locais, com ondas constantes e ambiente descontraído. Fica a poucos minutos a pé da Concha.
- Praia da Ribeira: última praia urbana, cercada por mata e com riacho que deságua no mar. Areia fina, águas limpas e quiosques com instalações para o dia todo.
- Praia de Jeribucaçu: fora do centro, acessível por trilha de dificuldade média. Uma das mais bem preservadas, fica ao lado da Cachoeira da Usina.
- Trilha das Quatro Praias: rota que conecta Engenhoca, Havaí, Camboinha e Itacarézinho através da floresta densa. O passeio mais completo para quem quer aliar banho de floresta e mar.
Natureza além do mar: cachoeiras, floresta e aventura
O Área de Proteção Ambiental Costa de Itacaré/Serra Grandecriado em 1993 pelo governo da Bahia, protege 62.960 hectares de florestas, praias e manguezais. A região faz parte do Reserva da Biosfera da Mata Atlânticareconhecido por UNESCO. O vizinho Parque Estadual Serra do Condurucriada em 1997 com 9.275 hectares, é citada internacionalmente por possuir uma das maiores biodiversidades do planeta. Um levantamento identificou 456 espécies de árvores em um único hectare do parque.
As cachoeiras completam o roteiro da natureza. O Cachoeira de Tijuípe É de fácil acesso pela BA-001, com trilha de dez minutos até a piscina natural cercada por pedras. O Cachoeira do Cleandroem Rio de Contas, exige uma travessia de barco pelo manguezal antes da caminhada. Já o Cachoeira da Pancada Grande Tem cerca de 40 metros de altura e fica a uma hora de passeio de barco rio acima, seguido de trilha pela mata. Para quem prefere adrenalina, há rafting nas corredeiras das Taboquinhas, a 30 km do centro, e arvorismo com tirolesa na Praia da Ribeira.
O que comer numa cidade que ainda cheira a óleo de palma e cacau?
A culinária de Itacaré mistura a tradição baiana com influências cosmopolitas trazidas pelos estrangeiros que se estabeleceram na vila. O Rua Pedro Longoconhecida como Pituba, possui restaurantes, bares e lojas a poucos metros das praias urbanas.
- Moqueca de peixe ou camarão: prato simbólico da Bahia, feito com peixe fresco da região, azeite de dendê, leite de coco e temperos. Encontrado em praticamente todos os restaurantes da Pituba e do litoral.
- Camarão Bobó: creme de mandioca com camarão e azeite de dendê, servido com arroz. Um dos favoritos dos turistas.
- Acarajé: Iguaria afro-baiana frita na hora pelas baianas nas ruas do centro histórico, recheada com vatapá, camarão seco e salada.
- Chocolate artesanal de cacau: produzido com frutas colhidas em fazendas de cabruca da região. O Fazenda Vila Rosaem Taboquinhas, oferece passeios desde a colheita até a fabricação e vende tabletes, nibs e trufas.
- Caipirinha de cacau: invenção local, servida em barracas da Praia da Concha e em bares da Rua da Pituba. Uma forma líquida de lembrar que a fruta que construiu a cidade ainda está por toda parte.
Quando ir e o que esperar do clima?
Itacaré possui clima tropical durante todo o ano, com temperaturas que variam pouco entre as estações. Não há seca real, mas há claramente meses mais secos e ondas mais ou menos adequadas a cada perfil.
Temperatura: 24-29ºC
Chuva: Alto
Alta temporada: momento vibrante para aproveitar o praias e o surfando.
Temperatura: 22-27°C
Chuva: Média
Clima equilibrado para explorar cachoeiras e faça trilhas na floresta.
Temperatura: 21-26°C
Chuva: Baixo
O melhor momento para quem busca paz com praias vazias e dias ensolarados.
Temperatura: 23-28°C
Chuva: Baixo
Período especial para observação de baleias e tartarugas marinhas.
Temperaturas aproximadas com base em Clima. Chuvas breves ao longo do dia são comuns, mas o sol geralmente retorna depois.
Como chegar à vila baiana saindo de Salvador ou Ilhéus?
O aeroporto mais próximo é Aeroporto Ilhéus Jorge Amado (IOS)a 70 km pela BA-001, estrada pitoresca que corta a Mata Atlântica em cerca de 1h15. De Salvadorsão aproximadamente 250 km de BR-101 com balsa em Bom Despacho. Os ônibus partem de Ilhéus, Itabuna e Salvador diariamente. A cidade fica a 71 km de Ilhéus e a 249 km de Salvador.
Uma aldeia que a floresta não deixou o mundo esquecer
Itacaré é rara na costa brasileira. Poucas cidades preservam tanta Mata Atlântica tão perto da areia, com ondas de nível mundial, cachoeiras a poucos minutos do centro histórico e uma noite recheada de forró e capoeira nas ruas de pedra. A mesma crise do cacau que quase apagou a aldeia do mapa foi o que preservou tudo isso.
É preciso visitar Itacaré e entender porque o restante da mata se tornou o melhor argumento para ficar mais uma semana.
