Pela primeira vez, tratamentos podem retardar a progressão do Alzheimer, diz neurologista

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Pela primeira vez, tratamentos podem retardar a progressão do Alzheimer, diz neurologista

O neurologista americano Bruce Miller, um dos maiores especialistas mundiais em demência, afirma que a medicina vive um momento histórico na luta contra o Alzheimer. Segundo ele, novos medicamentos já podem modificar o curso da doença, retardando sua progressão quando administrados nos estágios iniciais. Além disso, exames de sangue começaram a identificar alterações relacionadas ao Alzheimer até duas décadas antes do surgimento dos primeiros sintomas.

Miller, diretor do Centro de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em São Francisco, esteve no Brasil para participar do Brain Congress, realizado em Porto Alegre, onde destacou que o diagnóstico precoce pode transformar completamente a forma como a doença é tratada.

Diagnóstico pode ser feito até 20 anos antes

Segundo o especialista, os avanços tecnológicos permitem detectar, através de exames de sangue, proteínas associadas ao Alzheimer entre 15 e 20 anos antes do início das perdas cognitivas.

Existem também exames de imagem capazes de identificar as proteínas beta-amilóide e tau, consideradas as principais responsáveis ​​pelo desenvolvimento da doença. Para Miller, essa precisão diagnóstica aproxima a medicina de uma nova fase, semelhante à da prevenção de doenças cardiovasculares.

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Ele revelou ainda que estudos previstos para 2027 avaliarão se pessoas sem sintomas, mas com acúmulo de beta-amilóide no cérebro, conseguirão evitar ou retardar o desenvolvimento do Alzheimer recebendo medicamentos preventivos.

Nova geração de medicamentos

Embora ainda não haja cura para a doença de Alzheimer, Miller diz que os tratamentos disponíveis inauguram uma nova era ao retardar a progressão da doença quando iniciados precocemente.

Segundo o neurologista, se os estudos em andamento confirmarem os resultados esperados, será possível tratar os pacientes antes mesmo do aparecimento dos primeiros sinais clínicos, reduzindo significativamente o risco de comprometimento cognitivo.

A prevenção começa antes do nascimento

A especialista ressalta que a proteção da saúde do cérebro começa durante a gravidez. Um ambiente saudável para a mãe, livre de drogas e estresse excessivo, contribui para o bom desenvolvimento do cérebro do bebê.

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Ao longo da vida, diversos fatores influenciam o risco de desenvolver demência, como baixa escolaridade, obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão, depressão e isolamento social.

Miller destaca que hábitos saudáveis ​​fazem diferença em qualquer idade. Entre as principais recomendações estão praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação balanceada, controlar doenças crônicas, evitar o consumo excessivo de álcool e manter-se socialmente ativo.

Investir na prevenção reduz custos

Para o neurologista, investir na prevenção e no diagnóstico precoce não só melhora a qualidade de vida dos pacientes, mas também reduz os impactos económicos da demência nos sistemas de saúde.

Segundo ele, à medida que os exames de sangue se tornam mais acessíveis e novos tratamentos são disponibilizados, a tendência é que o Alzheimer deixe de ser identificado apenas após o aparecimento dos sintomas, permitindo intervenções muito mais eficazes.