O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta segunda-feira (15/6) em Évian-les-Bains, Françapara participar na cimeira do G7enquanto o governo brasileiro monitora a possibilidade de uma reunião com o presidente do Estados Unidos, Donald Trump.
Lula poderá se encontrar com Trump durante o G7?
Embora não haja nenhuma reunião oficial agendada entre os dois líderes, os membros do governo acreditam que uma reunião poderá ocorrer durante o calendário da cimeira. Até o momento, não houve nenhum pedido formal de audiência por parte do Palácio do Planalto ou a Casa Branca.
A estratégia brasileira foi garantir a chegada de Lula no primeiro dia do evento. A preocupação era não perder uma possível oportunidade de conversar com Trump, que em reuniões anteriores apenas participou da abertura do encontro. Veja imagens da chegada de Lula:
— Metrópoles (@Metropoles) 15 de junho de 2026
Tarifas dos Estados Unidos entram no radar do governo brasileiro
A possibilidade de diálogo ganha relevância em meio às recentes medidas comerciais anunciadas por Washington contra os produtos brasileiros. Se todas as propostas avançarem, a carga tarifária poderá atingir até 37,5%. No governo, a avaliação atual é a seguinte:
- A taxa adicional para 25% ainda pode ser negociado e revertido através de conversações diplomáticas;
- A sobretaxa para 12,5%relacionado a denúncias sobre trabalho forçado, é visto como praticamente consolidado;
- Um eventual encontro entre Lula e Trump poderá abrir espaço para novas negociações comerciais.
Que reuniões bilaterais estão previstas para Lula?
Além de participar da cúpula, Lula terá uma agenda intensa de reuniões com autoridades internacionais. A primeira reunião agendada é com o presidente francês Emmanuel Macronanfitrião da reunião.
O presidente brasileiro também deve conversar com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquizaalém de realizar reuniões bilaterais com o primeiro-ministro japonês Sanae Takaichi e o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi.
Qual será a posição de Lula perante os líderes do G7?
Durante os debates, Lula deverá reforçar as críticas ao protecionismo econômico e a chamada unilateralismopráticas que envolvem decisões tomadas sem negociações multilaterais prévias.
Segundo diplomatas, o presidente pretende defender o fortalecimento de organismos internacionais, como o Organização Mundial do Comércio (OMC)evitando confrontos direto com Trumpmas demonstrando oposição às barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A inteligência artificial também estará na agenda da cimeira
Um dos compromissos previstos é um almoço dedicado ao debate sobre inteligência artificial e transformação digital. O tema tem ganhado relevância diante das discussões globais sobre a regulação de plataformas tecnológicas.
Na ocasião, Lula deverá afirmar que o Brasil está aberto às atividades das empresas de tecnologia, desde que respeitem a legislação nacional. O assunto aparece em documentos do governo americano que justificam parte das medidas comerciais adotadas contra o país.
Por que o Brasil participa do G7 mesmo sem fazer parte do grupo?
O Brasil não faz parte do G7, formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Mesmo assim, Lula é convidado para reuniões desde que voltou à Presidência, em 2023.
A participação brasileira é vista como uma oportunidade para ampliar o diálogo com as maiores economias do mundo, fortalecer as relações diplomáticas e defender as posições do país em temas como comércio internacional, tecnologia e governança global.

