A preferência da maioria das pessoas pelo uso da mão direita pode ter uma origem muito mais antiga do que se imaginava. Um estudo publicado na revista científica Relatórios Científicos revelou a evidência mais antiga já encontrada de lateralização comportamental – a tendência de um ser vivo de favorecer um lado do corpo para realizar determinados movimentos.
A descoberta foi feita a partir da análise de fósseis de Spriggina linguadoum organismo marinho que viveu aproximadamente 550 milhões de anosdurante o período Ediacarano, muito antes do surgimento dos animais modernos.
Os pesquisadores observaram que esse ser antigo tinha uma clara preferência por curvar o corpo para a direita. Embora pareça um detalhe simples, o comportamento representa a mais antiga evidência conhecida de lateralização, característica presente hoje em diversas espécies, inclusive em humanos.
Apesar da descoberta, os cientistas fazem uma ressalva importante: o estudo não comprova que o Spriggina linguado é responsável pela predominância de pessoas destras hoje. O que a investigação demonstra é que este tipo de assimetria comportamental surgiu muito cedo na história evolutiva dos animais.
Segundo os autores, a lateralização já existia entre alguns dos primeiros organismos com simetria bilateral – aqueles cujos corpos têm lados direito e esquerdo bem definidos. Essa característica pode ter representado uma vantagem evolutiva por permitir movimentos mais eficientes e coordenados.
Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores é que o Spriggina linguado provavelmente possuía musculatura capaz de produzir movimentos coordenados e algum nível de controle nervoso. Embora tecidos moles como músculos e nervos não estejam preservados nos fósseis, as marcas deixadas pelo organismo indicam que ele era capaz de executar movimentos direcionados.
A descoberta ajuda a entender como comportamentos complexos começaram a surgir nos primeiros animais da Terra e mostra que a preferência por um lado do corpo é uma característica muito mais antiga do que se imaginava, datando de centenas de milhões de anos antes do surgimento da espécie humana.

