
O senador Iván Cepeda, candidato de esquerda derrotado nas eleições presidenciais da Colômbia, afirmou que recorrerá à “desobediência civil” para se opor ao presidente eleito, o conservador Abelardo de la Espriella, cuja posse está marcada para 7 de agosto.
Em entrevista concedida a Folha de S.Paulo Neste domingo (5), Cepeda, aliado político e patrocinado pelo atual presidente Gustavo Petro, declarou que reconhece o resultado das urnas, mas questionou a legitimidade do adversário com base na dupla cidadania.
Segundo o senador, Espriella, que também é cidadão dos Estados Unidos, deveria renunciar à nacionalidade americana antes de assumir a presidência da Colômbia.
“Ele é cidadão norte-americano e colombiano. No juramento prestado para obter a cidadania norte-americana, deve-se comprometer-se a colocar a Constituição norte-americana acima de qualquer outro interesse”, afirmou Cepeda, argumentando que esta condição comprometeria a defesa da soberania colombiana.
Além de renunciar à cidadania americana, o parlamentar exigiu que o presidente eleito esclarecesse supostas ligações com agências de inteligência dos Estados Unidos. No entanto, Cepeda não apresentou provas que sustentassem esta acusação.
Abelardo de la Espriella foi eleito por uma diferença de aproximadamente 250 mil votos, em uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente da Colômbia. A vitória do conservador encerrou o primeiro governo de esquerda do país, liderado por Gustavo Petro.
Cepeda afirmou ter recebido 12,7 milhões de votos e atribuiu a sua derrota à alegada “interferência absolutamente direta” do governo dos Estados Unidos e ao apoio público do presidente norte-americano, Donald Trump, ao seu adversário. Assim como nas demais acusações, o senador não apresentou provas que comprovassem essas alegações.
Com a posse marcada para o início de agosto, a oposição de esquerda promete centrar a sua atividade política na defesa da soberania nacional e no acompanhamento da relação entre o futuro governo colombiano e os Estados Unidos.
