O alinhamento entre os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ambos indicados para a corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se intensificou nos últimos meses, segundo avaliação de bastidores da Corte.
Desde as suas nomeações, a relação entre os dois ministros tem sofrido oscilações, mas atualmente há uma percepção de maior convergência nos julgamentos relevantes, especialmente sobre questões sensíveis nas esferas eleitoral e criminal.
Por um lado, Mendonça endossou posições alinhadas à gestão de Kassio à frente do Tribunal Superior Eleitoral, enquanto ambos votaram de forma semelhante em diversas análises no plenário.
Por outro lado, Kassio tem acompanhado decisões consideradas favoráveis a Mendonça no âmbito de investigações envolvendo fraudes relacionadas ao Banco Master, atuando em votações decisivas que garantiram vitórias ao relator.
Nos bastidores do STF, a avaliação é que essa convergência deve continuar pelo menos até o período eleitoral, embora haja incertezas sobre o futuro posicionamento de Kassio no caso Master, principalmente após pressões internas por mudanças na condução do processo.
A Segunda Turma do STF, responsável por julgar os casos ligados ao Banco Master, é formada por cinco ministros. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito e não participa dos julgamentos.
Luiz Fux tem acompanhado consistentemente os votos de Mendonça. Gilmar Mendes, embora tenha acompanhado o relator em algumas ocasiões, tem registrado ressalvas e críticas à condução do processo e passou a ser visto como um possível contraponto dentro do colegiado.
Em testes recentes, Kassio foi identificado como um ator-chave. Caso se alinhe com eventuais divergências levantadas por Gilmar Mendes, o cenário pode resultar em maior risco de derrotas para Mendonça, já que vínculos em matéria penal tendem a favorecer os investigados.
Em um dos julgamentos envolvendo a revogação da prisão preventiva de Henrique e Felipe Vorcaro, Kassio acompanhou o relator. Ainda assim, a sua justificação foi interpretada pelos interlocutores como um gesto de deferência institucional para com Mendonça, e não necessariamente um alinhamento jurídico automático.
Fontes judiciais apontam ainda que Kassio, ex-advogado, tende a demonstrar maior abertura aos argumentos da defesa, o que influencia sua postura em determinados casos.
A leitura predominante entre os ministros é que, apesar de possíveis divergências futuras, Kassio não deve agir para enfraquecer as decisões de Mendonça pelo menos até o final do ciclo eleitoral, também pela harmonia entre eles na defesa do papel do TSE como última instância nas disputas eleitorais.
Nos bastidores, ainda existe tensão entre diferentes alas do STF sobre o papel do Tribunal Superior Eleitoral em casos que envolvem desinformação e disputas políticas. Alguns dos ministros defendem maior deferência às decisões da Justiça Eleitoral, enquanto outra ala admite a possibilidade de intervenção em situações consideradas excepcionais.
O cenário reforça a percepção de rearranjos internos de influência no Supremo Tribunal Federal, especialmente em julgamentos de alto impacto político e institucional.
Veja votos convergentes e divergentes dos ministros Votaram em sentidos opostos
Julgamento sobre pedido de Bolsonaro para que Moraes seja declarado suspeito:
Cássio contra
Mendonça a favor
Denúncia criminal de Bolsonaro contra Janones, junho de 2024:
Cássio a favor
Mendonça contra
Condenação de Roberto Jefferson:
Cássio a favor
Mendonça diz que o STF não tem competência
Anulação da condenação de Palocci
Cássio a favor
Mendonça contra
Eles votaram em linha
Caso Mestre
Kassio endossou todas as decisões de Mendonça
TSE
Alinhados contra a inelegibilidade de Castro e pela derrubada de conteúdos que ligam Lula a facções e Flávio a milícias
Eleições no RJ
Ambos a favor da disputa indireta Revogação da prisão de Collor, abril de 2025
Mendonça a favor
Cássio a favor
Reclamação de 8 de janeiro de 2023
Ambos isolados para absolver 50 réus e pela incompetência do STF em analisar o caso.

