Emendas no valor de R$ 1,7 milhão destinadas por Lindbergh Farias às cooperativas ligadas ao MST levantam dúvidas

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Emendas no valor de R$ 1,7 milhão destinadas por Lindbergh Farias às cooperativas ligadas ao MST levantam dúvidas

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) destinou R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares que beneficiaram três cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no Paraná. As entidades atendidas fazem parte da base política da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), companheira de Lindbergh.

Os recursos foram aplicados em 2025 por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), iniciativa do governo federal voltada à aquisição de produtos da agricultura familiar. O valor destinado ao Paraná é cerca de 2,5 vezes maior que o valor enviado pelo parlamentar ao mesmo programa em seu estado natal, o Rio de Janeiro, que recebeu R$ 680 mil.

Entre as cooperativas atendidas está a Cooperativa Camponesa Vale do Ivaí (Cocavi), localizada no assentamento Oito de Abril, em Jardim Alegre (PR). A entidade recebeu recursos por meio de aditivo apresentado por Lindbergh em 2024 e comprometido em novembro de 2025, meses após visita de Gleisi Hoffmann ao assentamento. Na ocasião, o deputado destacou o trabalho das 550 famílias da comunidade e a produção de alimentos para escolas e programas sociais.

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Além da Cocavi, também foram beneficiadas a Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agrícola Ribeirão Vermelho (Coprari), em Centenário do Sul, que recebeu R$ 374 mil, e a Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (Copacon), em Londrina, que recebeu R$ 260 mil.

O caso se destaca porque, em 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou restrições ao envio de emendas parlamentares para estados diferentes daqueles de onde os deputados foram eleitos. Na decisão, o ministro argumentou que essa prática poderia abrir espaço para favoritismo político, distorções na distribuição de recursos e possíveis desvios de finalidade.

Na última quarta-feira (15), Dino também determinou que os líderes dos 21 partidos representados no Congresso Nacional informassem, no prazo de dez dias, se exercem influência na distribuição de emendas parlamentares. A medida foi tomada após declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmando que lideranças partidárias costumam participar de discussões sobre a distribuição desses recursos.

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Recentemente, um relatório da Polícia Federal apontou, com base em mensagens extraídas de celulares de servidores do Congresso, que Valdemar Costa Neto havia indicado a destinação de 21 emendas parlamentares, totalizando R$ 119 milhões. O dirigente negou irregularidades e afirmou que suas sugestões sempre estiveram dentro da lei, atendendo a pedidos de deputados e prefeitos.

Ao responder aos questionamentos, Lindbergh Farias negou ter escolhido a destinação final dos recursos. Segundo o parlamentar, a definição dos entes beneficiados é feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pela execução do Programa de Aquisição de Alimentos.