Anvisa aprovou uso do medicamento Sunlenca para prevenção do HIV-1

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Anvisa aprovou uso do medicamento Sunlenca para prevenção do HIV-1

A aprovação de um novo medicamento para prevenir o HIV-1 no Brasil abre uma frente adicional no controle da infecção no país. Este é o Sunlenca, cujo princípio ativo é lenacapavirautorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso como profilaxia pré-exposição (PrEP), ampliando o leque de opções de proteção para pessoas com maior risco de contato com o vírus, num cenário em que ainda não há vacina disponível contra o HIV.

O que é o lenacapavir e como funciona na prevenção do VIH-1?

O lenacapavir é um antirretroviral de primeira classe, desenvolvido para interferir diretamente na estrutura do capsídeo do HIV-1. O capsídeo é um “envelope” proteico que protege o material genético do vírus e participa de etapas essenciais do ciclo de infecção.

Para o inibir vários estágios da função do capsídeoo medicamento bloqueia a replicação viral e dificulta a transcrição reversa, fase em que o HIV converte seu material genético em DNA. Sem esta etapa, o vírus não consegue estabelecer uma infecção eficaz nas células humanas.

Como o Sunlenca atua na PrEP e quem pode usar o medicamento?

O lenacapavir passa a fazer parte das estratégias oficiais de prevenção juntamente com a PrEP com comprimidos diários. O medicamento pode ser administrado por via oral ou subcutânea, em esquema de injeções semestrais, o que pode promover maior adesão em comparação ao uso diário de comprimidos.

O Sunlenca para PrEP foi aprovado para adultos e adolescentes com 12 anos ou mais, com peso mínimo de 35 kg, considerados de risco aumentado de contrair o HIV-1. A indicação inclui pessoas com múltiplos parceiros sexuais, populações-chave em maior vulnerabilidade e indivíduos com dificuldade de manter a PrEP oral diária.

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Quais são os critérios para uso do lenacapavir na PrEP?

Antes de iniciar o regime de lenacapavir é obrigatória a realização de teste HIV-1 negativo, evitando o uso inapropriado em pessoas já infectadas. Nestes casos, a abordagem correta é a terapia antirretroviral (TARV), e não a profilaxia, além da necessidade de testes periódicos ao longo do acompanhamento.

Para que o uso do lenacapavir seja seguro e eficaz, alguns critérios mínimos devem ser respeitados na avaliação clínica e no acompanhamento de saúde:

  • Idade mínima: 12 anos.
  • Peso mínimo: 35kg.
  • Teste de HIV-1 negativo antes do início.
  • Acompanhamento regular em serviço de saúde.

Quais são os dados de eficácia do lenacapavir na PrEP?

Estudos clínicos apresentados às autoridades reguladoras indicaram alta eficácia do lenacapavir na prevenção do HIV-1. Entre as mulheres cisgênero avaliadas, a redução na incidência de novas infecções atingiu 100% nos cenários analisados, em comparação com a incidência basal em grupos semelhantes.

Considerando esse contexto, a proteção atingiu aproximadamente 96%, com desempenho aproximadamente 89% superior ao dos regimes diários de PrEP oral em alguns estudos. Outro ponto destacado foi a boa adesão ao regime injetável semestral, com menor frequência de esquecimento em comparação aos regimes orais contínuos.

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Como é que o lenacapavir se enquadra na prevenção combinada do VIH?

O profilaxia pré-exposição é apenas uma parte prevenção combinada do VIHque reúne diferentes medidas ao longo da cadeia de transmissão. Mesmo com os avanços representados pela Sunlenca, outras formas de proteção continuam essenciais para reduzir novas infecções e ampliar o atendimento integral.

Neste conjunto de estratégias podem ser utilizados diferentes recursos de forma articulada, de acordo com o perfil de risco, preferências e condições de acesso de cada pessoa:

  • PrEP com comprimidos diários ou injeção semestral (lenacapavir).
  • Uso consistente de preservativos internos e externos.
  • Profilaxia pós-exposição (PEP) em situações de risco recentes.
  • Terapia antirretroviral (TARV) para pessoas que vivem com HIV, visando uma carga viral indetectável.
  • Cuidados específicos para gestantes soropositivas.

Quando o Sunlenca poderá estar disponível no SUS?

Apesar da autorização da Anvisa, a inclusão de Sunlenca na rede pública ainda depende de medidas administrativas e económicas. O medicamento deverá ter preço máximo definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o que permite avançar nas discussões sobre incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A oferta no SUS será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e pelo Ministério da Saúde. Serão considerados dados sobre eficácia, segurança, impacto orçamental e relevância na saúde pública, enquanto a PrEP oral permanecerá rotineiramente disponível até uma decisão final.