Nova lei já em vigor ajuda idosos com mais de 60 anos a pagar dívidas acima dos seus rendimentos

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Nova lei já em vigor ajuda idosos com mais de 60 anos a pagar dívidas acima dos seus rendimentos

A Lei do Superendividamento, em vigor desde 2021, funciona como instrumento de proteção para pessoas que acumularam dívidas a ponto de comprometerem os aspectos básicos da vida. Num cenário de crédito mais facilitado, muitas famílias passaram a enfrentar contas que ultrapassam a própria renda mensal, principalmente em itens como moradia, alimentação e serviços essenciais, e a legislação busca organizar uma solução jurídica, com renegociação coletiva e regras mais rígidas para concessão responsável de crédito.

Nova lei já em vigor ajuda idosos com mais de 60 anos a pagar dívidas acima dos seus rendimentos
Pais idosos – Créditos: depositphotos.com/AndrewLozovyi

O que é a Lei do Superendividamento?

A Lei 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, alterou o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto do Idoso para tratar o excesso de dívida de boa-fé. A lei atua em duas frentes: prevenção e tratamento. Na prevenção, obriga bancos e fornecedores a informarem com clareza o custo efetivo total, juros, encargos e número de parcelas, evitando contratos sem total entendimento. No tratamento, permite um processo de renegociação global da dívida, reunindo todos os credores em uma única proposta, sob supervisão dos órgãos de defesa ou do Judiciário.

Quem pode utilizar a Lei do Superendividamento?

Para ter acesso aos mecanismos da Lei do Superendividamento é necessário comprovar renda insuficiente para quitar todas as dívidas sem afetar o mínimo existencial. Isso ocorre quando, após pagar parcelas e contas, o consumidor ou idoso não consegue arcar com despesas essenciais como aluguel, energia, alimentação e saúde.

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A lei prioriza dívidas de consumidores vinculadas a necessidades básicas, como contas de serviços públicos, empréstimos bancários, cartões de crédito, cheques especiais e parcelamentos, exigindo sempre boa-fé do devedor. Excluem-se as dívidas ilegais, as despesas óbvias de luxo ou a contração deliberada de crédito com intenção de não pagar, pois o objetivo é proteger a vulnerabilidade legítima e não condutas fraudulentas.

Como funciona na prática a utilização da Lei do Superendividamento?

Na prática, o caminho costuma começar pelos órgãos especializados, onde o consumidor recebe orientação e suporte técnico. Entre os principais canais de atendimento estão órgãos judiciais e administrativos que auxiliam na organização de dívidas e na documentação necessária.

Os serviços podem ser prestados, por exemplo, em:

  • Tribunais de Justiçapor meio de tribunais cíveis ou tribunais especiais;
  • Centros Judiciários de Resolução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC);
  • Defensores Públicosvoltado para pessoas de baixa renda;
  • Proconsque atuam na defesa administrativa do consumidor.

Quais dívidas podem ser renegociadas e quais os principais passos?

Comprovado o superendividamento, será marcada audiência de conciliação para apresentação de plano global de pagamentos. Nesta audiência, todos os credores são convidados a avaliar uma proposta única, geralmente estruturada para liquidação no prazo de cinco anos, preservando um valor mínimo de rendimento para sustentar o devedor e a sua família.

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Podem incluir, em regra, contas de água, luz, gás, telefone, contas domésticas, empréstimos bancários, faturas de cartão de crédito, cheques especiais e planos de prestações. Em regra, excluem-se as dívidas tributárias, alimentos e indenizações judiciais, que seguem regime próprio; Em caso de divergência entre os credores, o juiz poderá aprovar ou ajustar o plano, com base nas provas e garantias mínimas previstas em lei.

Quais os custos, benefícios e limitações da Lei do Superendividamento?

Os custos do processo variam consoante o tribunal, a complexidade do caso e a necessidade de advogado, mas a lei permite justiça gratuita para quem comprovar insuficiência de recursos. Assim, as custas e honorários judiciais podem ser dispensados, ampliando o acesso ao Poder Judiciário para consumidores vulneráveis ​​e favorecendo a regularização formal de dívidas.

Os benefícios incluem maior transparência na concessão de crédito, incentivo à oferta responsável pelas instituições financeiras, preservação do mínimo existencial e incentivo à educação financeira. Como limitações, a lei centra-se nas dívidas essenciais dos consumidores, não abrange todas as obrigações e depende da ação coordenada dos órgãos públicos, dos credores e do sistema de justiça, embora já esteja consolidada como um dos principais instrumentos de recuperação de dívidas e recuperação do saldo mínimo do orçamento familiar.