IA recria pessoas que morreram e levanta debate sobre ética, luto e direito de imagem

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IA recria pessoas que morreram e levanta debate sobre ética, luto e direito de imagem

O avanço da inteligência artificial tem permitido recriações cada vez mais realistas de pessoas que já morreram, dando origem a uma prática conhecida como “necromancia digital”. A tecnologia, que utiliza fotos, vídeos, áudios e outros registros para reproduzir a aparência, a voz e até o modo de falar de alguém, vem suscitando debates sobre ética, consentimento, direito de imagem e os impactos no processo de luto.

A chamada necromancia digital tem sido utilizada para recriar artistas, atletas, políticos e outras personalidades falecidas em vídeos, entrevistas fictícias, discursos, músicas e cenas inéditas. O termo refere-se à antiga prática de comunicação com os mortos e ganhou novo significado com o uso da inteligência artificial para simular pessoas que partiram.

Nas redes sociais, esse tipo de conteúdo tem se tornado cada vez mais comum. Em alguns casos, os usuários produzem vídeos em que simulam “salvar” celebridades falecidas, recriando digitalmente figuras como a cantora Marília Mendonça e o comediante Paulo Gustavo.

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A televisão também adotou esse recurso. No especial de Natal de 2025 A Praça é Nossao SBT usou inteligência artificial para reunir, no palco, Carlos Alberto de Nóbrega e seu pai, Manoel de Nóbrega, falecido em 1976. A tecnologia recriou a imagem e a voz do humorista, provocando reações positivas e críticas no público.

As recriações reacenderam as discussões sobre o uso comercial de imagens de pessoas falecidas. Nas redes sociais, usuários questionam o quão ético é transformar a identidade de alguém em produto após sua morte e quem deve autorizar esse tipo de uso.

Outro fenômeno relacionado ao tema são os chamados “robôs de luto”, também conhecidos como tecnologia de luto. Essas ferramentas utilizam registros digitais de pessoas falecidas para criar avatares, chamadas de voz e conversas por mensagens que simulam a presença do ente querido, com o objetivo de preservar memórias e oferecer conforto aos familiares.

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Especialistas, porém, alertam que a tecnologia pode produzir efeitos diferentes dependendo de como é utilizada. O psicanalista Christian Dunker afirma que esses recursos podem ajudar pessoas que não tiveram a oportunidade de se despedir ou resolver conflitos antes da morte de alguém. Por outro lado, destaca que o uso prolongado destas simulações pode dificultar a aceitação da perda e prolongar o processo de luto, criando um sentimento de permanência que não corresponde à realidade.

À medida que a inteligência artificial evolui, cresce também o debate sobre os limites éticos desta tecnologia, especialmente em relação ao consentimento, à herança digital e ao direito às imagens após a morte. O tema já mobiliza pesquisadores, juristas e especialistas em tecnologia, que discutem como equilibrar inovação, memória e respeito às pessoas já falecidas.