Como uma empresa sem funcionários conseguiu gerar R$ 29 bilhões e entrar na mira dos EUA?

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Como uma empresa sem funcionários conseguiu gerar R$ 29 bilhões e entrar na mira dos EUA?

Uma empresa sem funcionários registrados conseguiu movimentar cerca de R$ 29,3 bilhões em apenas três anos e acabou no centro de uma investigação internacional sobre lavagem de dinheiro. O caso chamou a atenção de autoridades brasileiras e dos Estados Unidos e faz parte de uma investigação que investiga um sofisticado esquema financeiro ligado ao tráfico internacional de drogas.

Segundo a Polícia Federal, a empresa Hi Quality Importação, Comércio e Distribuição movimentou o valor entre janeiro de 2021 e agosto de 2024, apesar de não ter funcionários cadastrados. O volume de transações levou à emissão de 645 denúncias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

As investigações indicam que a empresa seria utilizada para ocultar a origem de recursos provenientes do tráfico internacional de drogas, principalmente haxixe. Para isso, o grupo investigado teria utilizado empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, conhecidas como “laranjas”, e operações com criptomoedas.

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A empresa está registrada em nome de Ygor Fokin Saviolli, preso pelo FBI nos Estados Unidos em janeiro deste ano. Segundo a Polícia Federal, ele trabalharia ao lado de Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como um dos líderes do esquema.

Parte das evidências surgiram após a apreensão do celular de Saviolli por agentes do FBI. No dispositivo, os investigadores encontraram mensagens criptografadas, além de fotos e vídeos mostrando grandes quantias de dinheiro. A informação foi compartilhada com a Polícia Federal brasileira, que deu continuidade às investigações.

O caso ganhou dimensão internacional depois que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou sanções contra Victor Shimada, outros sob investigação e empresas ligadas ao grupo. As medidas incluem o bloqueio de activos sob jurisdição dos EUA e a proibição de cidadãos e empresas dos EUA terem relações comerciais com os alvos.

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Embora as autoridades americanas sustentem que o esquema tinha ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a investigação levada a cabo pela Polícia Federal brasileira centrou-se, até à data, em crimes de branqueamento de capitais e tráfico internacional de droga. No relatório da PF, a facção criminosa aparece apenas ocasionalmente e não tem papel central na investigação.

As investigações fazem parte da Operação Exchange e estão em andamento. O Tribunal também analisa pedidos de bloqueio de ativos que ultrapassam R$ 10 bilhões. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo.