O senador Flávio Bolsonaro pretende aproveitar a audiência pública promovida pelo Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, para reforçar sua posição contra a tarifa de 25% proposta pelo governo do presidente Donald Trump sobre os produtos brasileiros e defender uma solução negociada para a crise comercial entre os dois países.
A estratégia surge após a repercussão negativa de um documento em que o parlamentar sugeria a suspensão da entrada em vigor das tarifas enquanto Brasil e Estados Unidos buscavam um acordo. Segundo aliados, a proposta foi mal interpretada, e o objetivo agora é deixar claro que Flávio é contra a sobretaxa, além de defender o sistema Pix e exigir negociação entre governos.
A mudança de discurso ocorre em meio a uma troca de acusações entre governo e oposição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que membros da família Bolsonaro agiram contra os interesses nacionais ao manter contato direto com autoridades americanas durante a investigação comercial.
Em resposta, Flávio Bolsonaro afirmou que o governo estava explorando politicamente a crise e que suas ações buscam justamente evitar a aplicação de tarifas. Em vídeo gravado em Washington, o senador acusou Lula de promover uma “falsa narrativa” sobre a defesa da soberania brasileira e afirmou que o presidente seria “o único que quer a tarifa”.
O governo brasileiro também acompanha a audiência. O Itamaraty informou que enviou um representante da Embaixada do Brasil em Washington para observar as sessões promovidas pelo USTR. Segundo o Itamaraty, o encontro não é um canal oficial de negociação, mas um espaço destinado a ouvir representantes da sociedade civil, do setor produtivo e especialistas em comércio internacional.
A audiência é considerada a última etapa pública da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos antes da decisão marcada para 15 de julho sobre a possível aplicação de tarifas. Flávio Bolsonaro participará de um dos painéis ao lado de representantes da indústria brasileira, de empresas americanas e de entidades ligadas ao comércio internacional.

