Um paciente atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passou, nesta terça-feira (30), pela primeira telecirurgia robótica oncológica à distância realizada em um hospital filantrópico do Brasil.
O procedimento conectou, em tempo real, unidades do Hospital de Amor localizadas em Porto Velho (RO) e Barretos (SP), permitindo que a equipe médica operasse o paciente a aproximadamente 2,7 mil quilômetros de distância.
A cirurgia foi realizada para tratar câncer retal. Enquanto a equipe local de Porto Velho dava suporte direto ao paciente, especialistas em Barretos controlavam remotamente os instrumentos robóticos e monitoravam todo o procedimento.
Para viabilizar a operação com segurança, um protocolo específico de conectividade foi desenvolvido pelos Ministérios das Comunicações e da Saúde, em parceria com o Hospital de Amor. O sistema contava com duas conexões independentes de fibra óptica, redundância de rede 5G e infraestrutura dedicada via VPN.
Um dos principais requisitos técnicos era manter a latência abaixo de 100 milissegundos — intervalo entre o comando remoto do cirurgião e a resposta do robô na sala de cirurgia — considerada essencial para esse tipo de intervenção.
Durante a operação, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, acompanhou o procedimento em Barretos e destacou o potencial da tecnologia para ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade em regiões distantes dos grandes centros.
Segundo o Ministério das Comunicações, a iniciativa demonstra como a expansão da infraestrutura digital pode reduzir as desigualdades regionais ao permitir que pacientes do SUS tenham acesso a procedimentos especializados mesmo em localidades distantes.
O diretor de Inovação do Hospital de Amor, Luis Gustavo Romagnolo, afirmou que o avanço representa um passo importante para ampliar o acesso da população a cirurgias de alta complexidade por meio do sistema público de saúde.
O Hospital de Amor, totalmente vinculado ao SUS, realizou mais de 2 milhões de atendimentos em 2025, entre consultas, exames e procedimentos, beneficiando mais de 613 mil pacientes em 2.711 municípios brasileiros.

