A vila mineira de 1716 que só ganhou eletricidade na década de 1970

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A vila mineira de 1716 que só ganhou eletricidade na década de 1970

A 1.500 metros de altitude em Serra do Espinhaço, Lavras Novas é um distrito de Ouro Negro onde as ruas de pedra, as casas coloridas e a Capela do século XVIII convivem com o silêncio da serra. Um vilarejo pequeno, tranquilo e de tradição quilombola que se tornou refúgio para quem foge do ritmo urbano.

A vila de minas descoberta depois das de Vila Rica

O povoamento remonta a cerca de 1716, quando foram abertas novas jazidas de ouro nos arredores da antiga Vila Rica. De acordo com Prefeitura de Ouro Pretoo nome vem exatamente disso: minas descobertas depois das mais antigas da região.

A maioria da população é negra e a tradição oral fala de origem quilombola, embora não haja evidências históricas documentadas. O bairro só recebeu energia elétrica na década de 1970 e ainda hoje não possui posto de gasolina, caixa eletrônico ou hospital, o que ajuda a preservar o clima de uma pequena cidade parada no tempo.

A vila mineira de 1716 que só ganhou eletricidade na década de 1970
Lavras Novas é um bairro histórico próximo a Ouro Preto, em Minas Gerais, conhecido por suas cachoeiras e trilhas. // Créditos: Wikimedia Commons

O que guarda a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres?

No centro da aldeia, o Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Foi construído em 1762 e desde então tem sido sede de vida comunitária. A devoção ao santo é incomum em Minas Gerais e dá o tom para festivais religiosos no calendário local.

A rua original formava-se em torno da capela, com ruas em torno da praça principal e do cruzeiro de cantaria. O prédio está aberto à visitação durante o dia e iluminado à noite. Você pode subir na torre sineira para ter uma vista panorâmica do bairro.

Quais cachoeiras exigem uma caminhada?

O entorno de Lavras Novas é cortado por trilhas que levam a dezenas de cachoeiras em poucos quilômetros de raio. Alguns ficam a menos de 30 minutos a pé do centro histórico, outros requerem um guia local e meio dia inteiro.

  • Cachoeira dos Pocinhos: Distante 2,2 km do centro histórico, com trilha de dificuldade moderada e piscinas naturais em sequência.
  • Cachoeira Castelinho: também chamada de Cachoeira da Chapada, com desnível elevado e formação rochosa em formato de pequeno castelo.
  • Cachoeira Três Quedas: três quedas seguidas, uma das cenas mais fotografadas da vila.
  • Cachoeira dos Namorados: tradicional ponto de visitação em passeios guiados, com trilha pela mata nativa.
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O passado colonial do Brasil ganha vida em cada encosta e igreja barroca em um dos destinos mais históricos do país. O vídeo é do canal Traga seu passaportecom milhares de assinantes, e detalha Ouro Preto:

O que fazer além das trilhas e cachoeiras?

A aldeia é pequena, mas tem experiências que não exigem uma longa caminhada. Tudo se concentra em torno da capela e da Rua Nossa Senhora dos Prazeres.

  • Casas coloridas: no final da rua principal, as casas com portas e janelas tortas tornaram-se o cenário mais fotografado da vila.
  • Parque Estadual do Itacolomi: no entorno abriga trilhas mais longas e a Casa Bandeirista, do século XVIII.
  • Passeios a cavalo e quadriciclo: oferecido por guias locais para quem deseja alcançar mirantes mais distantes.
  • Vida noturna na rua principal: bares rústicos com música ao vivo que aquecem as noites frias de montanha.

O que comer no frio das montanhas?

A culinária do bairro segue o estilo mineiro servida no fogão a lenha, com adaptações para o clima frio. Os restaurantes ficam praticamente todos na rua principal e ao redor da capela.

  • Fondue: servido em quase todas as pousadas durante o inverno, aproveitando o clima gelado da serra.
  • Feijão Tropeiro: prato tradicional das rotas dos tropeiros do Estrada Realcom couve, torresmo e ovo.
  • Truta na manteiga: peixes criados em fazendas próximas, servidos com farofa e legumes cozidos.
  • Café com bolo de fubá: combinação clássica de cafés de aldeia, com receita transmitida de geração em geração.
A vila mineira de 1716 que só ganhou eletricidade na década de 1970
Lavras Novas encanta com seu casario colonial, trilhas, cachoeiras e ambiente tranquilo para quem busca natureza e cultura. // Créditos: YouTube Drone Tour 4k (@DroneTour4K)

Qual é a melhor época para visitar o distrito?

A altitude garante noites frias o ano todo e temperaturas bem mais baixas que nas cidades vizinhas. O inverno é a estação preferida de quem gosta de lareiras e fondue; o verão tem cachoeiras no volume máximo.

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☀️ Verão

Dez – fevereiro

14-26°C

Temperatura

Com o grande volume de água, aproveite o cachoeiras cheias e realizar trilhas curtas em toda a região.

🌧️ Chuva alta

🍂 Outono

Mar – maio

12-24°C

Temperatura

Clima ameno e céu mais limpo, perfeito para enfrentar longas caminhadas pelo Itacolomi.

🌦️ Chuva média

❄️ Inverno

Junho – agosto

6-21°C

Temperatura

Noites frias ideais para um fondue e apreciar o céu estrelado direto das montanhas.

☀️ Chuva fraca

🌸 Primavera

Setembro – novembro

10-25°C

Temperatura

Estação marcada por lindos festivais religiosos e excelentes condições para passeios a cavalo.

🌦️ Chuva média

Temperaturas aproximadas com base em Clima para Ouro Preto, cidade base. As condições podem variar.

Fundada em 1716, vila mineira a 1.500 metros de altitude é repleta de casinhas coloridas e natureza preservada
Lavras Novas encanta com seu casario colonial, trilhas, cachoeiras e ambiente tranquilo para quem busca natureza e cultura. // Créditos: YouTube Drone Tour 4k (@DroneTour4K)

Como chegar à aldeia nas montanhas?

Lavras Novas fica a 17 km do centro de Ouro Negro por uma estrada de terra em boas condições na maior parte do ano. De Belo Horizontesão cerca de 115 km ao longo da BR-356 até Ouro Preto e o trecho serrano até o distrito. Não há transporte público regular, então o ideal é ir de carro ou contratar um transfer saindo de Ouro Preto.

Suba a montanha e fique para ver o pôr do sol

Lavras Novas é um daqueles raros lugares onde a ausência faz parte da experiência: sem posto de gasolina, sem caixa eletrônico e às vezes sem sinal de celular. No local há o silêncio da montanha, uma cachoeira a poucos passos e as mesmas ruas coloniais de quase três séculos atrás.

É preciso reservar pelo menos dois dias na vila e entender porque tanta gente volta de Ouro Preto pela estrada de terra só para dormir mais uma noite no frio da serra.