
A proposta de uma categoria em CNH para condutores de veículos automáticos teve novas discussões em 2026. Projeto de Lei 7746/2017 propõe separar motoristas e motociclistas habilitados em câmbio manual daqueles que fazem o exame em modelos automáticos, gerando dúvidas sobre multas, alterações no exame prático e impactos para novos licenciados.
O que é o PL 7746/2017 e por que pode alterar a carteira de habilitação para câmbio automático?
No centro do debate está a ideia de registrar uma restrição clara à CNH: caso o candidato opte por fazer a prova em veículo automático, ficará impedido de conduzir modelos com embreagem manual. Essa possibilidade interessa a pessoas com deficiência, idosos e motoristas com dificuldade de uso de marchas, mas levanta dúvidas sobre custos e fiscalização.
Na sua redação original, o PL 7746/2017 tratou apenas da criação de subcategorias específicas para motocicletas com câmbio automático (A1 e A2). À medida que as discussões na Câmara avançavam, a interpretação se expandiu para outros tipos de veículos, o que levou à conclusão de que poderia surgir uma carteira de habilitação diferente por tipo de transmissão.
O que o PL 7746/2017 prevê sobre restrições à carteira de habilitação para câmbio automático?
O projeto propõe que o candidato escolha, desde o início, se realizará todo o treinamento e exame prático em veículo automático ou semiautomático. Nesse caso, a habilitação teria uma nota específica, indicando que o motorista só está apto para modelos sem pedal de embreagem, o que criaria uma subcategoria distinta na CNH.
Dirigir carro ou motocicleta manual apenas com habilitação automática seria enquadrado como infração, com aplicação do artigo 162.º de Código de Trânsito Brasileiro e fator multiplicador, resultando em uma penalidade estimada em cerca de R$ 586,947 pontos na habilitação e retenção do veículo. Essa punição, porém, ainda é apenas uma proposta e não se aplica até que o projeto seja aprovado e sancionado.
Qual a situação atual da carteira de motorista de veículos automáticos no Brasil?
Em março de 2026, a carteira de habilitação para câmbio automático ainda não é uma categoria separada no Brasil. A legislação atual não diferencia o tipo de transmissão nas categorias mais comuns, permitindo que quem faz a prova em veículo automático conduza modelos manuais e automáticos, com exceções para PCDs com códigos de restrição específicos.
O Resolução Contran 789/2020 define normas para formação de condutores, mas não cria distinção formal na CNH entre câmbio manual e automático. O PL 7746/2017 continua parado CCJC do Câmarasem relator designado, enquanto órgãos públicos negam rumores de que a “licença automática” já seria obrigatória.
Quais países já separam as licenças por taxa de câmbio e como isso funciona?
O debate brasileiro dialoga com experiências internacionais, nas quais a restrição ao câmbio automático já está consolidada. Nestes países, os códigos impressos na licença indicam o tipo de veículo autorizado, facilitando a fiscalização durante paradas de trânsito e abordagens de rotina. Veja abaixo os países que seguem esse tipo de regra:
- Reino Unido: Licença “somente automática”, exigindo novo exame em veículo manual para ampliação.
- Japão: escolha entre curso com foco automático ou manual desde o início do processo.
- Austrália: códigos de restrição vinculados à taxa de câmbio utilizada na prova prática.
Quais os impactos práticos de uma carteira de habilitação exclusiva para veículos automáticos?
O avanço de uma carteira de habilitação exclusiva para veículos automáticos envolve efeitos na formação de condutores, no mercado e na fiscalização. Os defensores citam a simplificação do aprendizado e a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida, enquanto os críticos alertam para a convivência com uma grande frota manual e possíveis custos extras.
Especialistas apontam que seria necessário adequar os sistemas de emissão de carteiras de habilitação, treinar os agentes e comunicar claramente as regras para evitar multas indevidas. Até a votação do PL 7746/2017, quem obtiver a habilitação em 2026 permanece autorizado a dirigir veículos manuais e automáticos das categorias comuns, sem multa específica vinculada ao tipo de transmissão.
