Nesta quarta-feira (25/3), o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) anulou a condenação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para um polêmico discurso no plenário do Câmarareforçando a imunidade parlamentar previsto no Constituição.
Por que a condenação de Nikolas foi anulada?
O TJDFT decidiu que o conduta de Nikolas Ferreira está protegido pela imunidade parlamentar, garantindo a inviolabilidade de opiniões, palavras e votos no plenário. A decisão foi unânime, com placar de 3 a 0, revertendo a multa de R$ 200 mil por danos morais coletivos.
Os desembargadores destacaram que, mesmo que o discurso seja polêmico, o Judiciário não pode punir parlamentares por discursos proferidos durante o mandato. Assim, o deputado fica livre de penalidades financeiras relacionadas ao episódio.
O que aconteceu durante o discurso da peruca?
O episódio ocorreu em março de 2023, durante o Dia Internacional da Mulher. Nikolas usou uma peruca loira e se apresentou como “Deputy Nikole”, criticando questões de identidade de gênero.
A manifestação provocou forte reação de entidades civis e parlamentares, gerando a ação judicial original. Apesar da repercussão negativa, o TJDFT entendeu que o ato se enquadra na proteção constitucional dos parlamentares. Veja a postagem de Nikolas sobre o tema:
Absolvido da condenação por peruca. Nicole está certa. Grande dia 👍🏻
-Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) 25 de março de 2026
Como a defesa de Nikolas argumentou no processo?
O deputado foi representado pelo advogado Thiago Rodriguesque argumentou que o discurso não ultrapassou os limites constitucionais aplicáveis aos parlamentares. Destacou que os discursos e atos realizados no plenário estão diretamente ligados ao exercício do mandato.
O TJDFT aceitou esta tese, reforçando que o liberdade de expressão dos parlamentares é ampla dentro da Câmara, garantindo que os atos políticos não sejam punidos judicialmente.
Quais entidades moveram a ação contra Nikolas?
A ação civil que resultou na multa foi ajuizada por associações representativas da comunidade LGBTQIA+. Antes da decisão do TJDFT, argumentavam que a fala do deputado causava danos coletivos e reforçava estereótipos nocivos. As principais entidades envolvidas incluem:
- Aliança Nacional LGBTI+rede de defesa dos direitos comunitários;
- Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (Abrafh)que protege legalmente diversas famílias;
- Outras organizações de direitos civisempenhados na promoção da igualdade e da proteção social.
Qual o impacto da decisão e dos próximos passos?
A decisão do TJDFT reforça os limites da atuação do Poder Judiciário sobre os atos praticados no plenário e destaca a força do imunidade parlamentar. Discursos polêmicos continuam gerando debates, mas os parlamentares são protegidos por lei.
O deputado continua exercendo seu mandato normalmente, sem penalidades financeiras. As associações podem avaliar outras estratégias jurídicas, embora o caso mostre que os atos no plenário são amplamente protegidos pela Constituição.

