No leste de Tocantinsonde o sinal do celular desaparece e a estrada asfaltada dá lugar a 165 km de areia, o Jalapão guarda uma savana praticamente intocada. São dunas alaranjadas, nascentes cristalinas que impedem qualquer um de afundar e comunidades quilombolas que transformam uma sempre-viva em ouro neste paraíso do interior. Brasil.
Um parque de 158 mil hectares no coração do Brasil?
O Parque Estadual do Jalapão foi criado em 2001 pelo governo de Tocantins e concluído 25 anos em janeiro de 2026. Com mais de 158 mil hectares concentrado no município de Mateirosa unidade é administrada pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatinos). Em 2023as dunas e a Serra do Espírito Santo receberam quase 54 mil visitantes.
O parque faz parte de um mosaico que inclui o APA de Jalapão (461 mil hectares) e a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins. Juntas, essas áreas formam a maior extensão contínua de savana de alta conservação do país. A fauna abriga espécies ameaçadas, como o pato-mergulhão.
O que são caldeiras e por que não afundam?
Você caldeiras São nascentes de rios subterrâneos onde a pressão da água que sobe da areia cria um fenômeno denominado ressurgimento. Esta força evita que os visitantes toquem no fundo, mesmo em pontos mais do que 20 metros em profundidade. A sensação é de flutuar sem esforço em piscinas naturais de tons que vão do azul turquesa ao verde esmeralda.
Mais de vinte já foram descobertos caldeiras na região, cada um com tamanho e cor diferentes. O Ceiça Fervedouro foi o primeiro a ser aberto ao turismo. O Fervedouro Bela Vista É considerada a mais bonita, com a maior piscina entre todas. O Buritizinho Destaca-se pela sua água azul intensa. Todos requerem reserva e acompanhamento de guia local.
O Jalapãolocalizado no extremo leste do Tocantinsé um dos destinos mais impressionantes do Brasilconhecida por suas águas cristalinas, caldeiras paisagens únicas e dunas alaranjadas. O vídeo é do canal Rolo Famíliaque tem aproximadamente 52 mil assinantes e apresenta um guia completo para 5 dias passados com a agência Nativos do Jalapão:
Dunas, cachoeiras e formações rochosas que mudam de cor
Para o Dunas do Jalapão nasceram da erosão do arenito da Serra do Espírito Santo. O vento moldou a areia fina ao longo de milhares de anos e criou as únicas dunas formadas no bioma Cerrado. No final da tarde, o ouro da areia transforma-se em cobre, e o silêncio só é quebrado pelo vento que desce a montanha. A visita acontece entre 14h e 17h30.
- Cachoeira da Velha: a maior queda do parque, com 15 metros alto em forma de ferradura. O volume de água impede o banho, mas a Prainha do Rio Novo está logo à frente.
- Cachoeira Formiga: poço de águas verde-esmeralda com fundo de areia branca. Trilha curta e acessível para famílias.
- Pedra Furada: formação de arenito com aberturas esculpidas pelo vento, o 1,5km trilha leve. As rachaduras filtram a luz do pôr do sol.
- Serra da Catedral: paredes de arenito que lembram torres góticas, o 35 km de Ponte Alta do Tocantins.
Capim Dourado: o ouro que vem dos caminhos
O grama dourada Não é grama. É uma árvore perene (Syngonanthus nitens) nativo dos caminhos de Jalapãocujo brilho dourado advém da alta concentração de alumínio no solo. Etnia indígena Xerente ensinou a técnica de costura para moradores da comunidade quilombola de Mumbucano início do século XX. Desde então, o conhecimento foi passado de geração em geração.
Em 2024, Mateiros foi declarada Capital Nacional do Grama Dourada por lei federal. O artesanato é reconhecido como patrimônio cultural brasileiro. A colheita só é permitida entre 20 de setembro e 20 de novembroe a matéria-prima não pode sair da região na natureza. Na Associação de Mumbucaartesãos vendem bolsas, biojóias e mandalas costuradas com seda buriti.
O que comer no cerrado profundo?
A culinária de Jalapão reflete a vida no campo e a riqueza do cerrado. As refeições são preparadas em fogão a lenha, com ingredientes colhidos no dia.
- Paçoca de carne seca: feito no pilão, servido com arroz, feijão e mandioca. É o prato mais tradicional da região.
- Doces e sucos de buriti: a palmeira onipresente em Jalapão Aparece em sobremesas, sorvetes e bebidas.
- Frango caipira: criado livremente nas aldeias, servido com arroz de pequi nos restaurantes comunitários.
Quando ir ao Jalapão?
Faz calor o ano todo, mas há duas estações bem definidas. A estação seca, de maio a setembro, é a melhor época: estradas mais firmes, caldeiras céu mais cristalino e aberto. Na época das chuvas, de outubro a abril, a paisagem é verde, mas os acessos podem virar atoleiros.
Temperaturas aproximadas com base em Clima para Mateiroscidade base de Jalapão. As condições podem variar.
Como chegar ao Jalapão saindo de Palmas?
O ponto de partida é bater palmasque recebe vôos diretos de Brasília, São Paulo e Goiânia. A partir daí, é sobre 300 km até Mateiros para o TO-050 e PARA-255. O trecho asfaltado vai até Ponte Alta do Tocantins (135 quilômetros); então, eles são 165 quilômetros estrada de terra que requer um veículo 4×4. A viagem leva cinco a seis horas. Agências credenciadas por Naturatinos Operam pacotes com transporte, guia e hospedagem.
O cerrado que ainda parece um segredo
O Jalapão entrega o que poucos destinos brasileiros conseguem: silêncio absoluto, paisagens que mudam de cor a cada hora do dia e encontros com comunidades que vivem do cerrado sem degradá-lo. Entre dunas, caldeiras e o brilho de grama douradaa região comprova que o interior do Brasil ainda possui cenas capazes de surpreender viajantes experientes.
É preciso atravessar a savana com a janela aberta, flutuar em um caldeira e observe o sol desaparecer atrás das dunas para entender por que o Jalapão ainda parece um segredo bem guardado.

