A condenação de irmãos Brazão pelo assassinato de vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes marca um dos resultados mais relevantes do Justiça brasileira quinta-feira (25/2), após anos de investigação, intensa repercussão pública e debate sobre violência política e milícias no Rio de Janeiro.
O Primeira Turma do STF reconheceu por unanimidade Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes do crime ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro, com base em declarações, provas documentais e depoimentos.
O julgamento, acompanhado por setores jurídicos, políticos e organizações de direitos humanos, também resultou em graves consequências políticas e financeiras para os réus e consolidou um precedente relevante no combate à violência política.
Em quantos anos os irmãos Brazão foram condenados?
Domingos e Chiquinho Brazão foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado e organização criminosa armada, além de 200 dias de multa cada.
Eles ficaram inelegíveis e Domingos perdeu definitivamente o cargo de assessor do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, com interrupção de seu salário de cerca de R$ 56 mil mensais, reforçando o entendimento de que crimes graves de violência política têm efeitos diretos na vida pública.
Quais foram as penas impostas aos demais réus do caso Marielle?
O STF também analisou a responsabilidade de outros três réus: o ex-major da PM Ronald Pereira recebeu 56 anos de prisão por participação no tiroteio; o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, foi absolvido dos homicídios, mas condenado a 18 anos por obstrução à justiça e aumento da corrupção passiva.
Robson Calixto, o Peixe, foi condenado a 9 anos por organização criminosa armada, por fazer parte do núcleo de apoio logístico do grupo, e todos os condenados são inelegíveis e impedidos de exercer cargos públicos.
Como ficou a indenização para as famílias de Marielle e Anderson?
Além das sanções penais, o STF estabeleceu indenizações civis no valor de R$ 7 milhões, de caráter reparatório e simbólico, destinadas aos familiares das vítimas e ao sobrevivente do atentado.
Os ministros definiram que R$ 3 milhões serão divididos entre pai, mãe, viúva e filha de Marielle Franco; R$ 3 milhões serão divididos entre a viúva e o filho de Anderson Gomes; e Fernanda Chaves, assessora sobrevivente, receberá R$ 1 milhão, buscando reconhecer os danos morais e materiais sem apagar a gravidade do crime. Veja a publicação feita pela irmã de Marielle:
Justiça para Marielle e Anderson✊🏾
Penalidades dos assassinos de Marielle e Anderson:
Ronnie Lessa: 78 anos e 9 meses
Irmãos Brazão: 76 anos e 3 meses
Élcio Queiroz: 59 anos e 8 meses
Ronald Pereira: 56 anos
Robson Calixto: 9 anosA sentença de Rivaldo Barbosa por corrupção e…
-Anielle Franco (@aniellefranco) 25 de fevereiro de 2026
Quais os principais impactos políticos e jurídicos da condenação?
A condenação gera efeitos políticos imediatos, como a inelegibilidade dos envolvidos e a perda do cargo de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado, abrindo vaga em órgão estratégico de fiscalização.
Do ponto de vista jurídico, o julgamento consolida um precedente no enfrentamento às organizações criminosas com a participação de agentes públicos, combinando condenações por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, organização criminosa armada, obstrução à Justiça e aumento da corrupção passiva:
- Reforçar a noção de que a violência política resulta em inelegibilidade e perda de cargos públicos.
- Mensagem de responsabilização dos agentes estatais envolvidos com milícias e esquemas criminosos.
- Maior pressão pela transparência nas investigações de crimes contra defensores dos direitos humanos.
- Utilizar o caso Marielle como referência em políticas de prevenção à violência política.

