TCU aponta manobras do governo para driblar regras fiscais e aumentar “gastos extraorçamentários”

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TCU aponta manobras do governo para driblar regras fiscais e aumentar “gastos extraorçamentários”

A discussão sobre gastos públicos voltou ao centro do debate com a identificação, pelo menos Tribunal de Contas da União (TCU)de mecanismos utilizados pelo governo federal para realizar despesas fora do Orçamento Geral da União (OGU) e o quadro fiscal, através de práticas que reduzem a visibilidade nas contas oficiais e afectam a transparência e a percepção da situação fiscal do país.

O que o TCU identificou sobre despesas fora do Orçamento Federal?

O trabalho foi conduzido pela Unidade de Auditoria Especializada em Gestão Orçamentária, Tributária e Fiscal (AudFiscal) do TCU e apresentado ao gabinete do ministro Bruno Dantas. O relatório sugere que ministérios, órgãos de controle e estatais tenham prazos entre 30 e 180 dias para ajustar regras e procedimentos que atualmente permitem gastos “de fora”, sob risco de perder credibilidade das regras fiscais aprovadas em 2023. A informação é de Portal Gazeta do Povo.

A auditoria começou depois que o TCU constatou que parte dos recursos do programa ovo de ninho estava a ser realizada fora do Orçamento. A partir deste caso, os técnicos mapearam diversos instrumentos utilizados para financiar políticas públicas com menor controle orçamentário, focando na forma de financiamento e no impacto na gestão fiscal, e não no mérito das políticas.

Que práticas permitem gastos fora das regras fiscais?

Entre os problemas destacados estão os sensíveis mecanismos de equilíbrio das contas públicas, incluindo a não arrecadação de determinadas receitas para a Conta Única do Tesouro Nacional e a capitalização de fundos privados com recursos públicos. Também preocupam a permanência de fundos criados para fins temporários, a ampliação do alcance das empresas estatais e a utilização de recursos públicos para financiar programas de crédito.

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Juntas, estas práticas permitem que uma parte relevante dos gastos públicos não apareça claramente nas estatísticas fiscais tradicionais, alimentando dúvidas sobre o respeito pela enquadramento fiscal. Dados oficiais mostram que a multiplicação de gastos fora das regras do quadro e do Orçamento reforça a percepção de enfraquecimento do controlo fiscal e da transparência.

Qual o impacto das exclusões no enquadramento tributário e na LDO?

Um caso emblemático foi a aprovação do Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2026, que deixou despesas da Petrobras, ENBPar e até R$ 5 bilhões vinculados ao Novo PAC. Além disso, autorizou que fossem excluídos até R$ 10 bilhões do resultado primário das empresas estatais e permitiu que o governo visam apenas a base da meta fiscal e não o centro.

Somados, os valores retirados das regras fiscais desde o início do atual mandato alcançaram cerca de R$ 336,9 bilhões até o ano passado, incluindo R$ 145 bilhões da PEC da Transição, R$ 140,6 bilhões para precatórios atrasados, R$ 29 bilhões para reconstrução no Rio Grande do Sul e R$ 9,5 bilhões para setores afetados pelas tarifas dos Estados Unidos. Esse conjunto de exceções preocupa o TCU quanto ao credibilidade das âncoras fiscais.

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Como funcionam as manobras fiscais apontadas pelo TCU?

O relatório descreve uma rede de práticas que exploram lacunas legais e institucionais, como receitas públicas que não passam pelo Orçamento ou pela Conta Única do Tesouro, dificultando a monitorização. A Secretaria do Orçamento Federal (SOF) informou que não tem a responsabilidade de monitorar receitas extra-orçamentárias ou receitas classificadas como privadas, o que, na visão dos auditores, cria uma zona cinzenta de fiscalização.

Outro ponto envolve fundos e empresas estatais: ao capitalizar fundos privados com dinheiro público ou utilizar empresas estatais nas políticas de crédito e investimento, parte das despesas deixa de ser contabilizada como despesa primária tradicional. Os fundos criados para emergências acabam mantidos e ampliados, transformando as exceções em canais permanentes de gastos fora das principais regras fiscais. O documento AudFiscal ainda depende da análise do ministro Bruno Dantas, relator da auditoria, que decidirá se as propostas serão convertidas em determinações formais, recomendações gerais ou novos processos de fiscalização. Depois, o caso poderá seguir para o plenário do TCU, conferindo às decisões um caráter colegiado e pressionando o Executivo por ajustes institucionais.