Médicos exigem que Anvisa bloqueie Ozempic e Mounjaro

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Médicos exigem que Anvisa bloqueie Ozempic e Mounjaro

O uso de remédios para emagrecer voltou ao centro do debate no Brasil depois que operações policiais revelaram um esquema clandestino de venda de fórmulas que imitariam produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, à base de substâncias como semaglutida e tirzepatidaindicado para o tratamento de diabetes e obesidade com acompanhamento médico, mas cuja circulação em versões manipuladas e sem rigoroso controle de qualidade levanta um alerta sobre os riscos à saúde, à segurança sanitária e à confiança da população nas terapias aprovadas.

Médicos exigem que Anvisa bloqueie Ozempic e Mounjaro
Mounjaro – Créditos: depositphotos.com/mariar12

O que são semaglutida e tirzepatida e por que se tornaram alvo de falsificações?

Esses tipos de medicamentos ajudam a controlar a glicemia e podem reduzir o apetite, o que explica o interesse em utilizá-los para perda de peso. As versões originais, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, seguem um rigoroso processo industrial, com purificação, testes de estabilidade, controle de dose e rastreabilidade de lote. A tentativa de reproduzir essas moléculas complexas fora das indústrias especializadas aumenta o risco de impurezas, degradação do princípio ativo e variação na concentração.

Os medicamentos compostos para perda de peso são seguros?

A principal preocupação das entidades médicas está ligada à falta de previsibilidade de fórmulas manipuladas denominadas “semaglutida” ou “tirzepatida”. Sem comprovação de equivalência com o produto original e sem estudos clínicos robustos, não é possível garantir que a substância presente seja realmente a mesma, na mesma dose e com a mesma segurança.

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Para entender melhor os perigos associados a esses produtos irregulares, os especialistas destacam alguns riscos frequentes observados em investigações e atendimentos emergenciais:

  • Contaminação microbiológicaque pode levar a infecções sistêmicas;
  • Reações alérgicas intensasprincipalmente quando houver impurezas ou resíduos sintéticos;
  • Pancreatite e inflamação gastrointestinal grave devido a dosagem inadequada;
  • Toxicidade por superdosagem, com vômitos persistentes, desidratação e alterações metabólicas;
  • Falha terapêutica por subdosagem, com pior controle da doença de base.

Quais os impactos no sistema de saúde e na vigilância sanitária?

A circulação de medicamentos clandestinos para emagrecer afeta diretamente quem faz uso dessas substâncias e também o sistema de saúde como um todo. As complicações evitáveis ​​sobrecarregam os serviços de emergência, aumentam os custos hospitalares e podem gerar desconfiança em relação aos medicamentos aprovados e bem estudados.

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Para a vigilância sanitária, o desafio envolve rastrear toda a cadeia de mercadorias ilegais, identificar laboratórios e farmácias que produzem fora dos padrões, coletar lotes suspeitos com rapidez e coordenar ações com conselhos profissionais para orientar médicos e pacientes.

Como reduzir os riscos ao procurar tratamento para perder peso?

O tratamento da obesidade e do diabetes é multidimensional, e o uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida é apenas um dos pilares. Para reduzir os riscos, os especialistas destacam a importância da prescrição individualizada, dos exames periódicos e da compra exclusiva em estabelecimentos regulamentados pela vigilância sanitária.

Na prática, algumas medidas são recomendadas para quem está pensando em usar esses medicamentos ou já iniciou a terapia:

  • Consulta com um médico qualificadoavaliando história clínica e demais medicamentos em uso;
  • Receita emitida por profissional cadastradocom nome do produto, dose e horário de uso;
  • Compre em farmácias regularesverificando autorização dos órgãos de saúde;
  • Desconfiança de ofertas muito baratasvendas em redes sociais ou intermediários leigos;
  • Registro de efeitos adversosrelatando os sintomas ao médico e à farmacovigilância.