O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, se emocionou durante evento realizado nesta sexta-feira (17) na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao final de seu discurso, o juiz foi aplaudido de pé e recebeu gritos de “fica” do público presente.
Couto se emocionou ao agradecer ao presidente pela adesão do estado ao Programa de Pagamento da Dívida do Estado (Propag). Em sua fala, ele destacou que uma das exigências do programa é que as economias obtidas com a renegociação de dívidas sejam destinadas a investimentos sociais, principalmente nas áreas de educação e saúde.
Com a voz embargada, o juiz afirmou que não tem experiência política, mas que atua com sensibilidade como juiz. “Às vezes me emociono. Gostaria de agradecer ao presidente”, disse, sendo interrompido por aplausos da plateia.
Em resposta, Lula abraçou Ricardo Couto e elogiou sua atuação à frente do governo do estado. O presidente afirmou que o juiz pode não ser político partidário, mas desempenha função política na administração do Estado.
“Nunca diga que você não é político. Você não é político de partido, mas está exercendo uma função pública importante”, disse Lula. O presidente disse ainda que nunca viu um governante eleito suscitar as expectativas que, segundo ele, Ricardo Couto gerou em parte da população carioca.
A pauta aconteceu durante a visita de Lula ao Carrinho Saúde da Mulher, localizado na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Ricardo Couto ocupa temporariamente o Palácio Guanabara desde março, após a renúncia do então governador Cláudio Castro. Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assumiu o cargo por ser o último na linha sucessória, pois o estado estava sem vice-governador e o então presidente da Assembleia Legislativa estava afastado.
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que Couto permaneça no comando do Executivo estadual até que a Corte defina como escolher o governador-tampão, que administrará o estado até o final do mandato. O julgamento está suspenso a pedido do ministro Flávio Dino.
Nos últimos meses, o governador interino tem promovido auditorias de contratos públicos e demissões de servidores investigados por possíveis irregularidades. Enquanto isso, o cenário político no Rio de Janeiro permanece indefinido, com expectativas para a decisão do STF sobre a sucessão no governo do estado.

