O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, incluiu um alerta ao Brasil na decisão que oficializou a tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. O documento afirma que, caso o Brasil adote medidas de retaliação comercial contra os norte-americanos, Washington poderá considerar que a sobretaxa atual é insuficiente e aumentar as punições.
Segundo o texto, uma possível resposta brasileira que aumente as restrições ao comércio dos Estados Unidos, como o aumento de tarifas sobre produtos americanos, poderia servir de justificativa para a adoção de novas medidas. Além disso, o governo dos EUA sublinha que a tarifa de 25% não impede a aplicação de outras sanções baseadas na Secção 301 da legislação comercial dos EUA ou noutros instrumentos jurídicos disponíveis.
Na prática, a decisão estabelece a possibilidade de uma nova escalada nas tensões comerciais entre os dois países. O alerta surge em meio a sinais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que poderá recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica, mecanismo que autoriza o Brasil a aumentar tarifas, suspender concessões comerciais e adotar outras contramedidas contra países que imponham barreiras às exportações brasileiras.
O documento, porém, não define qual seria uma possível nova alíquota nem determina que o aumento das tarifas aconteceria automaticamente. Em vez disso, observa que a retaliação do Brasil poderia ser interpretada como prova de que a taxa de 25% não foi suficiente para atingir os objetivos da política comercial norte-americana.
Por outro lado, a decisão também prevê o cenário oposto. Caso o Brasil adote medidas que reduzam as restrições destacadas pelos Estados Unidos, o governo americano poderá rever ou até encerrar a aplicação da sobretaxa. Dessa forma, a tarifa passa a funcionar como instrumento de pressão nas negociações entre os dois países, podendo ser flexibilizada no caso de concessões ou endurecida diante de uma resposta tarifária brasileira.

