
A norte-americana Martha Ann Lillard, considerada a última pessoa conhecida nos Estados Unidos a depender de um “pulmão de ferro” para respirar, morreu aos 78 anos depois de passar mais de sete décadas a utilizar o equipamento que marcou uma das fases mais dramáticas da história da poliomielite.
Morador de Shawnee, Oklahoma, Lillard contraiu poliomielite em 1953, pouco depois de completar cinco anos. A infecção ocorreu apenas dois anos antes do início da campanha de vacinação contra a doença nos Estados Unidos.
A poliomielite deixou consequências permanentes, causando paralisia parcial e comprometendo gravemente sua capacidade respiratória. Com os pulmões funcionando apenas parcialmente, ela passou cerca de seis meses internada e, ao receber alta, continuou usando o pulmão de aço pelo resto da vida.
Criado em 1928 pelos pesquisadores Philip Drinker e Louis Shaw, da Universidade de Harvard, o equipamento foi um dos principais recursos médicos utilizados antes do desenvolvimento dos respiradores modernos. O aparelho funcionava com pressão negativa: o paciente permanecia dentro de uma grande câmara metálica, com apenas a cabeça para fora, enquanto as mudanças de pressão faziam com que o tórax se expandisse e contraísse, permitindo a respiração.
Ao longo das décadas, os avanços na medicina e a erradicação da poliomielite em vários países fizeram com que o pulmão de ferro já não fosse utilizado pela maioria dos pacientes. Martha Ann Lillard, no entanto, permaneceu dependente do equipamento durante toda a vida.
Nos últimos anos, sua saúde ficou ainda mais delicada. Ela desenvolveu a síndrome pós-poliomielite, uma condição que pode se desenvolver décadas após a infecção inicial e causar fraqueza muscular progressiva e dificuldades respiratórias. Posteriormente, enfrentou complicações decorrentes da longa Covid, passando a depender do pulmão de ferro em tempo integral.
Segundo a família, Martha morreu no dia 26 de junho devido a complicações relacionadas à longa Covid. A certidão de óbito também apontou insuficiência pulmonar crônica e síndrome pós-poliomielite como fatores associados.
Sua trajetória ficou marcada como símbolo da época em que a poliomielite era uma das doenças mais temidas do mundo e reforça a importância histórica da vacinação, responsável por reduzir drasticamente os casos da doença e praticamente eliminar a necessidade de equipamentos como pulmões de ferro.
