Bomba: PF aponta suposta reunião para influenciar comando do INSS; Pacheco nega reunião e diz que há “confusão de informações”

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Bomba: PF aponta suposta reunião para influenciar comando do INSS; Pacheco nega reunião e diz que há “confusão de informações”

Relatório da Polícia Federal (PF) apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e dos Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, teria se reunido, em 2023, com o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para discutir a nomeação da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação faz parte da primeira fase da investigação Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O documento foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e traz o indiciamento de 48 pessoas.

Agora, o material será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se deve registrar reclamação na Justiça, solicitar novas medidas ou solicitar o arquivamento do caso.

PF aponta articulação para influenciar nomeações

Segundo a reportagem, o encontro entre Carlos Lopes e Rodrigo Pacheco teria sido organizado pelo então deputado federal Euclydes Pettersen e ocorreu no dia 1º de fevereiro de 2023, data da posse dos parlamentares eleitos.

Para a PF, mensagens obtidas durante a investigação indicam que o encontro teria como objetivo discutir a nomeação do presidente do INSS e outros cargos considerados estratégicos.

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No documento, os investigadores afirmam que a escolha de cargos como a presidência do instituto, a Diretoria de Benefícios e a Procuradoria-Geral do INSS seria fundamental para garantir a continuidade do suposto esquema criminoso e dificultar as auditorias internas.

Ainda segundo a investigação, no dia seguinte ao suposto encontro, em 2 de fevereiro de 2023, Glauco André Fonseca Wamburg foi nomeado presidente do INSS. Permaneceu no cargo até julho daquele ano, quando foi substituído por Alessandro Stefanutto.

Acusações e fugitivos

Carlos Lopes foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, branqueamento de capitais qualificado e grande corrupção ativa. Segundo a Polícia Federal, ele está foragido desde o ano passado.

Seu irmão, Tiago Abraão Lopes, também diretor da Conafer, também foi indiciado na investigação.

O ex-deputado Euclydes Pettersen, apontado como responsável pela mediação do encontro, foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Sem Desconto, em novembro de 2025. A PF suspeita que ele tenha recebido propina para defender os interesses do grupo investigado e também o incluiu entre os indiciados.

Pacheco nega qualquer participação

Em nota, o senador Rodrigo Pacheco negou ter se reunido com Carlos Lopes e afirmou nunca ter participado de discussões sobre indicações para a presidência do INSS.

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Segundo o parlamentar, ele nem conhecia Carlos Lopes nem Bruna Braz e declarou que nunca indicou nomes para cargos no instituto.

Pacheco afirmou ainda que a investigação parece ter mesclado fatos diversos.

“Não sei e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me encontrei para discutir a indicação do Glauco André Fonseca Wamburg, que, aliás, eu nem sabia que tinha sido presidente do INSS. Também nunca fiz nenhuma indicação para o INSS e não conheço seus diretores ou ex-diretores. Parece ser uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição como presidente do Senado, fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito A referência ao ‘atendê-los’ certamente não me inclui”, afirmou o senador.

A investigação está em andamento e caberá agora à Procuradoria-Geral da República decidir quais medidas serão adotadas com base nas conclusões apresentadas pela Polícia Federal.