
A desistência de Kelps Lima na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 foi anunciada publicamente durante entrevista ao radialista Bruno Giovanni, em Natal. Na altura, o ex-deputado afirmou que o partido não cumpriu os seus compromissos e justificou este como o principal motivo para o abandono da pré-candidatura. O tom adotado foi crítico à liderança do partido, deixando clara a deterioração do relacionamento com o União Brasil. Porém, nos bastidores da política gaúcha, a leitura predominante é outra: a avaliação é que Kelps percebeu as dificuldades de uma disputa dentro da federação União Brasil/PP, que já tem três deputados federais em busca da reeleição — Benes Leocádio, Robinson Faria e João Maia — e optou por sair do jogo antes de sofrer uma derrota que poderia reduzir significativamente seu peso político.
A análise entre dirigentes e organizadores é que Kelps alcançaria algo em torno de 30 mil votos, desempenho muito inferior ao obtido em 2022 e insuficiente para colocá-lo na disputa por uma vaga. Antes da decisão, ele teria procurado diretamente o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, tentando reequilibrar o jogo político. Nos bastidores, diz-se que a estratégia envolveu retirar apoios considerados estratégicos dos principais nomes da chapa e direcioná-los à sua candidatura, incluindo o apoio de cerca de dez prefeituras, incluindo Mossoró, o segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte. A versão que circula é que ele nem conseguiu ser recebido por Rueda em Brasília. Diante desse cenário, a retirada passou a ser vista como um movimento para preservar o capital político acumulado, evitando uma campanha exaustiva e um resultado aquém do esperado. Agora, a tendência é que Kelps concentre seus esforços na articulação política, negociando seu apoio no processo eleitoral e buscando manter protagonismo nos próximos ciclos da política gaúcha.
