Faltam 87 dias para o primeiro turno. Cento e oito, para quem já acredita no segundo. Na política, três meses é um período generoso para quem lidera e um período muito curto para quem está em terceiro lugar.
Carlos Eduardo Xavier, o Cadu, está em terceiro.
Não é uma opinião. É o que indica a maior parte das pesquisas publicadas até agora. O candidato do PT não funcionou.
E o partido, que entende como poucos o valor comercial de um sobrenome, tomou uma decisão reveladora: batizou o menino de “Cadu de Lula”.
Observe o que não está lá.
Não é “Cadu de Fátima”.
Fátima Bezerra é a governadora. Foi ela quem o escolheu, o ungiu e o apresentou ao eleitorado como herdeiro natural. Ele está no cargo. Há uma plataforma, há uma máquina, há — segundo o próprio candidato, que repete a frase em cada entrevista — “muito para mostrar” e muitas provas para exibir.
E por que esconder isso?
O marketing político é uma ciência grosseira, mas brutalmente honesta: diz em três palavras o que a retórica passa um comício inteiro escondendo. Quando o candidato ao governo se apega ao nome do presidente que está em Brasília e se esquece do governador que está a três quarteirões dele, a mensagem, sussurrada, é uma só: a marca local está perdendo dinheiro. Lula complementa. Fátima subtrai. O cálculo foi feito e ninguém vai comentar em público.
Há uma elegância involuntária na manobra. O PT sempre foi bom em construir narrativas. Ele agora demonstra que é igualmente competente na construção de omissões. A gestão progressista da professora Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte é uma coisa esplêndida — desde que não apareça na campanha.
O que resta é o cálculo, que é aritmético e não ideológico.
A força de Lula no estado é um fato. Que esta força seja transferível é uma fé. São coisas diferentes, e a segunda costuma custar a quem confunde com a primeira.
Padrinho não vota. O Padrinho aparece, sorri, levanta o braço do afilhado num palco de quarenta minutos e volta para o avião (Lembra do Major Sales?). Depois disso, o afilhado fica sozinho com o eleitor, e o eleitor guarda lembranças —inclusive do hospital sucateado, do ensino como um dos piores do país, da insegurança e do atraso no pagamento a fornecedores que chega a cinco meses.
O tempo, isto é, não negocia. Cerca de um mês de campanha eficaz para sair do terceiro lugar e entrar na disputa é um prazo apertado, mesmo para quem tem estrutura de governo petista e formação partidária.
Com base nos números de hoje, a estratégia se resume a uma frase que o marketing jamais colocará em jingle: “Vai ser preciso muito Lula ali, ali e muito pouca Fátima aqui, aqui, aqui…”
E não custa lembrar: Lula é pré-candidato à Presidência da República. Não ao governo do Rio Grande do Norte.
Publicado por: Ênio Sinedino na Coluna de Ênio Sinedino 96 FM.

