Uma decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) poderá transformar a forma como milhões de brasileiros acessam a internet, principalmente em áreas remotas. O Conselho de Administração da agência aprovou a alocação de faixas de frequência para operação de serviços móveis via satélite, abrindo caminho para que empresas como a Starlink ofereçam conexão diretamente aos celulares.
Na prática, o novo recurso permitirá que smartphones compatíveis se conectem a satélites sem a necessidade de antenas externas ou equipamentos adicionais. A tecnologia, conhecida como Direct-to-Device (D2D), permite que o satélite se comunique diretamente com o dispositivo, ampliando a cobertura em locais onde o sinal das operadoras tradicionais não chega.
Apesar dos avanços, a internet via satélite para celulares ainda não está disponível ao público. A aprovação da Anatel representa apenas a primeira etapa do processo regulatório. Agora, a Superintendência de Outorgas e Recursos para Provisão terá até 90 dias para apresentar a proposta técnica de uso das frequências, que ainda precisará ser analisada e aprovada pela Diretoria da agência.
A expectativa é que, após essa fase, as operadoras de telefonia façam parcerias com empresas especializadas, como a Starlink, para oferecer o serviço aos seus próprios clientes.
A cobertura pode crescer ainda mais
Em 2025, a cobertura da tecnologia 5G atingiu 63,61% do território brasileiro, superando a meta estabelecida pela Anatel para 2027. Mesmo assim, muitas regiões continuam sem acesso à internet móvel de alta velocidade, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.
A chegada da tecnologia D2D pode reduzir essa desigualdade ao permitir a conexão mesmo onde não há torres telefônicas.
Starlink amplia presença no Brasil
Criada em 2019 como serviço de internet via satélite da SpaceX, a Starlink expandiu rapidamente sua operação e hoje conta com mais de 10 mil satélites em órbita baixa, representando cerca de 75% dos satélites manobráveis ativos ao redor da Terra.
No Brasil, a empresa já possui aproximadamente 700 mil acessos, segundo dados da Anatel de março de 2026, com forte presença em setores como agronegócio, mineração e logística.
O que muda para os consumidores
Caso a regulamentação seja concluída, a principal vantagem será a possibilidade de permanecer conectado mesmo em regiões onde atualmente não há cobertura por redes móveis convencionais.
Ainda assim, pontos importantes permanecem indefinidos, como o custo do serviço, a velocidade da conexão e as limitações técnicas da tecnologia. Esses detalhes deverão ser esclarecidos à medida que as operadoras avançam nas negociações e a regulamentação é concluída.
Se implementada, a internet via satélite para celulares poderá representar uma das maiores mudanças no setor de telecomunicações dos últimos anos, ampliando a conectividade em todo o país.

