
Brasil e Noruega se enfrentam neste domingo (5) pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Se dentro de campo o duelo promete equilíbrio, fora dele os dois países vivem realidades econômicas bem diferentes.
Com pouco mais de 5,6 milhões de habitantes, a Noruega tem uma das rendas per capita mais altas do planeta. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, o país registra um PIB per capita de aproximadamente US$ 105,8 mil, enquanto o do Brasil gira em torno de US$ 12,3 mil.
Petróleo e gás impulsionaram a economia
Grande parte da prosperidade norueguesa provém da exploração de petróleo e gás natural no Mar do Norte.
Esses recursos respondem por cerca de 20% a 25% da economia do país e são explorados principalmente pela estatal Equinor, que também mantém operações no Brasil.
Além do setor energético, a Noruega destaca-se no transporte marítimo, na produção de salmão, na indústria do alumínio, na química e na geração de energia hidroelétrica.
Fundo bilionário garante estabilidade
Um dos maiores diferenciais do modelo norueguês é o Fundo de Pensões do Governo Global, criado em 1990 e gerido pelo Norges Bank.
O fundo recebe grande parte das receitas obtidas com o petróleo e o gás e funciona como reserva para as gerações futuras.
Atualmente, apenas o rendimento anual dos ativos pode ser utilizado pelo governo, ajudando a financiar cerca de um quarto da despesa pública sem comprometer o capital acumulado.
A guerra na Ucrânia aumentou as receitas
A guerra entre a Rússia e a Ucrânia também fortaleceu a economia norueguesa.
Com a redução do fornecimento de gás russo à Europa, a Noruega aumentou as suas exportações de energia para vários países europeus, aumentando as suas receitas.
Planejamento faz a diferença
Os especialistas destacam que a riqueza da Noruega não se explica apenas pelos recursos naturais.
O país investe há décadas em planejamento estatal, tecnologia, educação, inovação e qualificação de mão de obra, além de manter forte diálogo entre governo, empresas e sindicatos.
Outro factor destacado é a elevada confiança nas instituições públicas, aliada a uma ampla rede de protecção social financiada por uma carga fiscal superior a 40% do PIB.
O desafio do futuro
Apesar do cenário favorável, os economistas estimam que a Noruega precisará preparar a sua economia para um futuro com menor dependência do petróleo e do gás natural, além de enfrentar os impactos do envelhecimento da população.
Ainda assim, o modelo norueguês é frequentemente citado como um exemplo de como transformar a riqueza dos recursos naturais num desenvolvimento económico sustentável e numa elevada qualidade de vida.
