O Partido Liberal (PL) apresentou nesta terça-feira (30) uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teria feito declarações com conteúdo discriminatório e discurso de ódio direcionado à população de Santa Catarina.
Na ação, o partido sustenta que as falas do presidente durante uma agenda no estado configurariam um ataque à imagem do povo catarinense e poderiam ser classificadas como manifestação discriminatória. O governo federal, por sua vez, rejeita as acusações e afirma que Lula atua em defesa da igualdade e do respeito à diversidade regional.
A afirmação questionada foi feita na semana passada, durante visita do presidente a Itajaí (SC), onde esteve em um estaleiro que presta serviços à Petrobras. Na ocasião, Lula afirmou que “todos têm que ser tratados de forma igual” e criticou as desigualdades sociais e raciais.
Em outro trecho do discurso, o presidente disse que a “hegemonia branca” não pode ser aceita e afirmou que as diferenças regionais ou raciais não deveriam ser utilizadas como forma de hierarquia social. Ele também fez referência a episódios históricos de regimes totalitários ao comentar práticas discriminatórias.
Na representação enviada ao TSE, o PL argumenta que esse tipo de discurso associaria o estado de Santa Catarina a conceitos como racismo e supremacia racial, o que, na visão do partido, constituiria uma extrapolação do debate político e de uma possível propaganda eleitoral antecipada.
O partido também incluiu na ação críticas feitas por Lula ao governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, durante a mesma pauta, alegando que haveria conteúdo eleitoral no discurso.
Em resposta, o governo federal afirmou, em nota, que as declarações do presidente foram feitas no contexto da defesa da igualdade e que não houve intenção de ofender nenhum estado ou população. O assessor destacou ainda que Lula mantém um histórico de respeito à diversidade regional e que suas agendas institucionais fazem parte das atribuições do chefe do Poder Executivo.
O caso agora será analisado pela Justiça Eleitoral.

