O licença paternidade está passando por uma mudança histórica no Brasil com a sanção da Lei nº 15.371/2026. Essa norma altera profundamente o cenário trabalhista ao ampliar o período de licença e estabelecer o salário-paternidade como benefício previdenciário.
O que é o salário-paternidade e quem paga o benefício?
A principal inovação é que o custo do afastamento não é mais exclusivo da empresa. O salário paternidade passou a ser financiado pelo RGPS, garantindo que o empregador não arcará sozinho com o ônus da ausência do empregado durante esse período mais longo.
Para os empregados com carteira assinada, a empresa adianta o valor e obtém posterior reembolso do INSS. Para as micro e pequenas empresas, o reembolso é integral, facilitando o cumprimento das novas diretrizes trabalhistas.
Como funcionará o novo cronograma de extensão de licença?
O aumento dos dias de baixa por doença não ocorre de imediato para garantir a adaptação das empresas e do sistema de segurança social. A regra segue um cronograma escalonado que atinge o limite máximo de 20 dias apenas a partir de 2029.
Confira como será o aumento gradual das licenças:

A quais categorias profissionais têm direito?
A legislação amplia a proteção a grupos que anteriormente tinham pouco ou nenhum apoio jurídico específico. Agora, a proteção chega aos trabalhadores que possuem modelos de contrato diferentes do regime formal tradicional, garantindo maior equidade nas relações de trabalho.
Novos beneficiários incluem:
- Trabalhadores ocasionais como estivadores e operadores portuários.
- Empregados domésticos com direito a reembolso ao empregador.
- MEIs com base na contribuição previdenciária feita pelo segurado.
- Segurados especiaiscomo pequenos produtores rurais e pescadores.
Como é a estabilidade no emprego durante esse período?
A lei garante a estabilidade provisória durante todo o período de licença, estendendo a proteção ao período imediatamente após o retorno ao trabalho. Esta medida, inspirada na legislação da Segurança Social, visa garantir a segurança financeira da família no momento do nascimento, adoção ou concessão da guarda legal.
A norma reflete uma atualização necessária ao CLTconsolidando direitos que antes eram tratados de forma fragmentada. Este novo quadro procura alinhar o país com práticas modernas de protecção da criança e apoio ao planeamento familiar.
É possível dividir o período da licença?
Sim, o fracionamento é permitido, mas uma regra importante deve ser observada para garantir a presença do pai nos primeiros dias de vida do filho. O beneficiário deverá realizar o gozo inicial obrigatório imediatamente após o fato gerador, seja nascimento ou adoção, e depois distribuir os dias restantes conforme a necessidade.
Esta flexibilidade permite uma melhor gestão entre as responsabilidades familiares e o regresso às atividades profissionais. Com essas mudanças, o ambiente de trabalho brasileiro está se adaptando para oferecer um apoio mais robusto aos pais durante uma fase decisiva para o desenvolvimento familiar.

