
O construção de grandes barragens geralmente chama a atenção por seus impactos locais, mas um megaprojeto na China despertou interesse mundial por um motivo inusitado: a capacidade de mudar, mesmo que de forma mínima, o Rotação da Terra.
O que torna a nova megabarragem das Três Gargantas tão diferente?
A Barragem original das Três Gargantas agora abriga aproximadamente 40 bilhões de metros cúbicos de águaque produz efeitos físicos mensuráveis no planeta.
De acordo com a NASA, a rotação da Terra desacelerou em cerca de 0,06 microssegundos por dia e o eixo do planeta se moveu 2 centímetros. Embora imperceptíveis na vida quotidiana, estas mudanças ilustram como grandes redistribuições de massa afectam o momento de inércia da Terra.
A construção pode realmente mudar a rotação da Terra?
O megaprojeto destaca-se não apenas pelo custo estimado em US$ 167 bilhões (sobre R$ 857 bilhões), mas também pelos impactos energéticos e geofísicos envolvidos.
Na prática, a variação de 0,06 microssegundos por dia na rotação não afeta o cotidiano, mas mostra que obras em escala continental podem interferir em parâmetros antes considerados estáveis, ao concentrar enormes volumes de água em reservatórios interligados. Veja os impactos na rotação da Terra (Reprodução/TikTok/@terra.trend):
@terra.trend A Barragem das Três Gargantas tem tanta água que pode afetar a rotação da Terra. #represas #trêsgargantas #usinahidreletrica #dam #represatresgorgantas #china #obrasincriveis #planetaterra #fisica #ciencia #historia #geografia #curiosidades ♬ BGM misterioso e triste(1120058) – S e N
Quais são os efeitos e características físicas e energéticas do complexo?
A nova etapa prevê uma barragem ainda maior, integrada em um cinco barragens em cascataformando o maior complexo hidrelétrico já construído e ampliando o compromisso chinês com a energia limpa.
Para compreender o alcance do projeto, alguns pontos físicos e energéticos se destacam e ajudam a avaliar sua relevância local e global:
- Redistribuição da massa de água em escala continental, alterando ligeiramente o momento de inércia da Terra.
- Pequenas mudanças na rotação e eixo do planeta registradas por satélites e sistemas geodésicos.
- Grande contribuição para a matriz energética renovável chinesa, com redução do uso de carvão.
- Aumento da capacidade de geração para cerca de 300 bilhões de kWh por anoabastecendo dezenas de grandes cidades.
- Integração num sistema de cinco barragens, melhorando o controlo de cheias e regulação de caudais.
Quais são as principais preocupações dos países vizinhos com a construção?
Apesar dos avanços nas infra-estruturas energéticas, a Índia, o Bangladesh, o Tibete e outros vizinhos a jusante do rio citam riscos hidrológicos e geológicos, além de possíveis tensões geopolíticas ligadas ao controlo da água.
Entre os receios está o potencial para indução de terremoto por grandes reservatórios em áreas de falhas, a segurança estrutural da barragem diante de eventos extremos e impactos na irrigação, abastecimento e meios de subsistência, além de deslocamentos populacionais e perda de áreas agrícolas. Veja os impactos regionais:
💧 Redução do fluxo de água
Medo de uma diminuição do abastecimento de água nos países localizados a jusante.
🎯 Controle estratégico da água
Medo do uso político do caudal do rio em possíveis crises regionais.
🌱 Impactos ambientais
Possíveis danos à biodiversidade e aos ecossistemas naturais partilhados.
🌾 Mudança de sedimentos
Risco de danos à agricultura e à fertilidade do solo nas regiões a jusante.
🌊 Inundações ou secas artificiais
A liberação repentina de água pelas barragens pode alterar o regime natural do rio.
🔍 Falta de transparência
Baixa divulgação de dados técnicos e ambientais sobre o projeto.
🏔️ Segurança sísmica
Preocupação com grandes barragens em uma área geologicamente instável do Himalaia.
⚖️ Tensões geopolíticas
Aumento da desconfiança entre China, Índia e Bangladesh.
Como a construção se enquadra na transição energética da China?
A nova barragem, considerada o maior do mundo em capacidade hidrelétricaé uma parte central do plano chinês para reduzir as emissões e aumentar a participação das centrais hidroelétricas, solares e eólicas até 2030.
Com produção anual estimada em 300 bilhões de kWho complexo ajuda a satisfazer a procura industrial e urbana, reduz a dependência de combustíveis fósseis e reforça o debate global sobre como os grandes projectos de energia limpa podem criar novos tipos de riscos ambientais, sociais e geopolíticos.
