
O Câmara dos Deputados aprovado nesta terça-feira (2/3), em voto simbólicoo reajuste dos salários básicos para Funcionários do Congresso Nacional e a criação de um novo mecanismo de compensação por dias trabalhados, com impactos na estrutura remuneratória do Câmara e Senado e foco em bônus e benefícios de remuneração.
O que muda para os funcionários da Câmara dos Deputados?
Na Câmara dos Deputados, o foco está no reajuste dos servidores do Congresso com ênfase na estrutura salarial dos cargos permanentes, com aumento da remuneração básica e reorganização de gratificações. O projeto prevê que o salário fixo inicial de um analista legislativo passe de R$ 5.739,22 para R$ 14.008,22, absorvendo o antigo Bônus de Representação (GR), antes em torno de R$ 16 mil.
Outras parcelas, como o Bônus de Atividade Legislativa, são mantidas e os salários dos cargos de natureza especial são atualizados, resultando em um reajuste global estimado em cerca de 9%, segundo o presidente da CâmaraHugo Motta (Republicanos-PB). O relator Alberto Fraga (PL-DF) afirma que o impacto projetado é de 0,03% na receita corrente líquida, sem necessidade de créditos adicionais, respeitados os limites legais de gastos do Legislativo.
Como funcionam os novos bônus e folgas compensáveis?
Um dos pontos mais sensíveis é a criação de um mecanismo de “folgas compensáveis”, ligadas a deslocações específicas, que podem ser convertidas em descanso ou pagamento em dinheiro. Essas remunerações são pagas fora do teto constitucional do funcionalismo público, atualmente em torno de R$ 46 mil por mês, o que permite que a soma de salários, gratificações e remunerações ultrapasse esse limite sem violá-lo formalmente.
O novo Prêmio de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE) da Câmara poderá atingir até 100% do maior salário base do cargo efetivo, com critérios e metas de avaliação a serem definidos em regimento interno. No Senado, o GDAE substitui o Prêmio de Desempenho (GD), vinculando também parte da remuneração ao desempenho e aos objetivos estratégicos, aproximando parâmetros da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Como será aplicado o reajuste escalonado para funcionários do Senado?
Nó Senado Federalo reajuste dos servidores do Congresso será escalonado entre 2026 e 2029, distribuindo o impacto orçamentário por vários anos. A proposta, já aprovada pelos senadores em 2024, atinge consultores legislativos, advogados, analistas, técnicos e assistentes legislativos, além de atualizar gratificações para cargos especiais.
Na base da carreira de assistente legislativo, o salário base passará de R$ 2.603,27 para R$ 5.863,09 em 2029, enquanto o nível mais alto de consultor legislativo sobe de R$ 10.736,64 para R$ 24.181,07 na ponta da escala. A gestão do Senado afirma que os reajustes serão atendidos pelo orçamento de 2026 e pelo planejamento para os anos seguintes, evitando disparidade remuneratória em relação à Câmara e ao TCU.
Quais os impactos fiscais e os principais pontos de debate?
Os impactos fiscais são apresentados como absorvíveis nos orçamentos já aprovados, com estimativa de 0,03% da receita corrente líquida na Câmara e custo diluído ao longo do tempo no Senado. Ainda assim, as folgas indenizáveis e o pagamento de benefícios fora do teto constitucional alimentam discussões sobre transparência, controle de gastos e possíveis distorções quando comparadas a outras carreiras do serviço público.
No contexto mais amplo, o reajuste soma-se aos recentes aumentos para magistrados, membros do Ministério Público, Judiciário e funcionários do TCU, reforçando a tentativa de manter a atratividade das carreiras parlamentares. A forma como o GDAE e a remuneração são regulamentados deverá influenciar futuros debates sobre reforma administrativa, revisão de benefícios e equilíbrio entre poderes.
